Entenda as diferenças entre o presidente e o líder supremo do Irã

País persa é uma teocracia, sistema de governo em que o poder político é exercido por líderes religiosos

Diego Pavão, da CNN
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A escalada do conflito entre Israel e Irã colocou, de novo, diversas lideranças políticas do Oriente Médio em evidência. No contexto iraniano, as declarações sobre as tensões com os israelenses partem principalmente de duas figuras do alto escalão do regime: o presidente e o líder supremo.

Os dois exercem funções diferentes, que compõem o que é chamado de teocracia, um sistema de governo em que o líder religioso é o líder político simultaneamente e em que as leis civis e penais são diretamente baseadas em textos e interpretações religiosas.

Líder supremo do Irã

Desde 1979, com a Revolução Islâmica, a política e a sociedade iranianas são regidas pelo regime dos aiatolás.

Apesar de o Irã ser um país persa, a palavra “aiatolá” tem origem no árabe, com o significado de “sinal de Deus” ou “sinal de Alá”. Nas duas línguas, o significado é o mesmo.

O cargo designa um alto dignitário religioso na hierarquia do Islã xiita, vertente do islamismo que predomina no Irã.

Desde a queda do xá Reza Pahlavi, o Irã teve dois aiatolás como líderes supremos. O primeiro, considerado o pai da revolução, foi o aiatolá Ruhollah Khomeini, que ficou no poder até 1989, quando morreu. Ele foi sucedido pelo aiatolá Ali Khamenei, que está no poder até hoje.

Como líder supremo, Khamenei é a autoridade máxima do Irã. Ele é considerado o chefe de Estado, líder religioso, político e militar.

De forma geral, por se tratar de uma teocracia, os aiatolás são reconhecidos como clérigos com profundo conhecimento da jurisprudência islâmica, da ética e da filosofia e grandes entendedores dos textos religiosos.

Compete ao líder supremo projetar e impor as diretrizes que serão seguidas pelo governo em áreas como a religião, as Forças Armadas e a política.

No conflito entre Israel e Irã, partem de Ali Khamenei as ordens de ataques, estratégias militares e todas as decisões relativas à ofensiva, ainda que ele seja rodeado de estrategistas e integrantes do governo.

O Irã é amplamente entendido na comunidade internacional como uma ditadura, em que a mídia e a imprensa são fortemente controladas pelo líder supremo.

O líder supremo não é eleito diretamente pelo povo. Ele é escolhido por um órgão conhecido como a Assembleia de Especialistas, que conta com 88 clérigos xiitas escolhidos pelo voto popular.

Apesar do envolvimento da população no processo, as candidaturas para a Assembleia de Especialistas são determinadas por outro órgão, o Conselho de Guardiões, que só aprova candidatos alinhados ao regime.

O mandato do líder supremo é vitalício, ou seja, não há limite de tempo estabelecido.

Presidente do Irã

Subordinado ao aiatolá Ali Khamenei, está o presidente Masoud Pezeshkian. Dentro da estrutura de poder, ele pode ser entendido como o chefe de governo, segundo mais alto na hierarquia, logo abaixo do líder supremo.

Cabe ao presidente cuidar da administração diária do governo e, principalmente, colocar em prática as políticas impostas pelo líder supremo.

O trabalho se concentra em manter a administração pública funcionando e inclui tarefas como a nomeação de ministros, a formação do gabinete, propostas de orçamento e a condução da diplomacia em nome do aiatolá. Para exercer o cargo, ele deve ser um iraniano xiita de nascimento.

Apesar das várias funções, o presidente não controla de forma alguma as Forças Armadas, função que compete só a Ali Khamenei.

O presidente do Irã é eleito pelo voto popular, mas só depois que as candidaturas são ratificadas pelo Conselho de Guardiões, que também só aprova nomes alinhados ao regime.

O tempo no poder é de quatro anos, mas a Constituição permite dois mandatos consecutivos.

Veja fotos do conflito entre Israel e Irã: