Míssil hipersônico chinês circunda Terra com velocidade acima do som; entenda

Mísseis hipersônicos se tornam cobiçadas armas de guerra por conseguirem desviar escudos antiaéreos e atingir alvos cada vez mais distantes, superando os tradicionais mísseis balísticos intercontinentais

B-52 carrega o míssil hipersônico AGM-183 A, da Força Aérea dos EUA
B-52 carrega o míssil hipersônico AGM-183 A, da Força Aérea dos EUA Christopher Okula/U.S Air Force

Camila Neumam*da CNN

São Paulo

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China, Estados Unidos, Rússia e Coreia do Norte vivem uma corrida para desenvolver mísseis hipersônicos capazes de voarem ao espaço e circularem pela Terra, desviando de escudos antimísseis antes de atingirem seus alvos, com velocidades que superam a velocidade do som.

A China lançou um míssil hipersônico que surpreendeu os Estados Unidos pela agilidade e capacidade de atingir o alvo. Os americanos e a Rússia também estão desenvolvendo mísseis hipersônicos, e no mês passado a Coreia do Norte disse ter testado um míssil desse tipo.

As armas hipersônicas são difíceis de serem paradas por equipamentos de defesa militar porque voam em direção a alvos em altitudes mais baixas, e podem atingir velocidades de 6.200 km por hora (3.850 mph), mais de cinco vezes a velocidade do som.

A tecnologia supera os tradicionais mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), que atendem a essa definição quando reentram na atmosfera vindos do espaço. Mas, por estarem ao longo de um caminho balístico, têm trajetória previsível.

Por outro lado, as armas hipersônicas manobram aerodinamicamente e são capazes de desviar das defesas antiaéreas e manter o alvo no adversário.

Os mísseis hipersônicos são projetados para viajar a uma velocidade tão alta que podem voar grandes distâncias e se mover rapidamente através do espaço aéreo fortemente protegido para atacar alvos como portos, campos de aviação e outras instalações antes que possam ser derrubados com sucesso.

Porém, os países ainda tentam construir o míssil ‘perfeito’ em uma corrida que remonta aos tempos da Guerra Fria (1947-1991).

China

Os militares chineses lançaram um foguete carregando um veículo planador hipersônico que voou em órbita baixa, circulando a Terra antes de voar em direção ao seu alvo, que errou por cerca de 20 quilômetros.

“O teste mostrou que a China fez um progresso surpreendente em armas hipersônicas e estava muito mais avançada do que as autoridades americanas imaginavam”, disse o governo dos EUA em um relatório, citando pessoas informadas sobre a inteligência.

Em um desfile de 2019, a China apresentou o avanço do seu armamento, incluindo seu míssil hipersônico, conhecido como DF-17.

O Ministério da Defesa da China não se pronunciou a respeito do teste.

Estados Unidos

Por décadas, os militares dos EUA trabalham na construção de mísseis que viajam a uma velocidade hipersônica, geralmente definida como Mach 5 ou superior.

O primeiro veículo a ultrapassar o Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som) foi um foguete de dois estágios, denominado Project Bumper, lançado em 1949.

Atualmente, os EUA estão se concentrando no desenvolvimento de um míssil hipersônico que possa viajar 20 vezes a velocidade do som em um ataque militar no mundo real, não muito longe da velocidade que os ônibus espaciais viajaram ao reentrar na atmosfera da Terra.

O novo míssil chamado de Arma de Resposta Rápida AGM-183A lançada pelo ar (ARRW, na sigla em inglês) deve estar pronto para uso nos próximos anos. A arma visa fornecer aos comandantes dos Estados Unidos em todo o mundo “a capacidade de destruir alvos de alto valor e sensíveis ao tempo”, segundo a Força Aérea dos EUA.

Mas o programa de mísseis hipersônicos da Força Aérea dos Estados Unidos sofreu um golpe no primeiro semestre deste ano, depois de não conseguir lançar o míssil do bombardeiro B-52H Stratofortress voando da Base Aérea de Edwards, na Califórnia.

“O B-52H Stratofortress decolou na segunda-feira sobre a cordilheira de Point Mugu com a intenção de disparar o primeiro veículo de teste de reforço para o programa de Arma de Resposta Rápida AGM-183A lançada pelo ar (ARRW). Em vez disso, o míssil de teste não foi capaz de completar seu lançamento sequência e foi retido com segurança na aeronave que retornou à Base Aérea de Edwards “, disse a Força Aérea em um comunicado.

O fracasso do teste foi um revés para os EUA na corrida com China e a Rússia para desenvolver as armas hipersônicas em um momento de aumento das tensões globais.

Em agosto, um míssil hipersônico foi lançado com sucesso em um teste feito em parceria entre a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (Darpa) e a Força Aérea do país.

O míssil Hypersonic Air-breath Weapon Concept (HAWC) foi lançado de uma aeronave segundos antes de seu motor ser acionado, e atingindo cinco vezes a velocidade do som.

“O teste de voo livre HAWC foi uma demonstração bem-sucedida das capacidades que farão dos mísseis hipersônicos de cruzeiro uma ferramenta altamente eficaz para nossos combatentes”, disse o gerente do programa de escritório de tecnologia tática da Darpa, Andrew Knoedler, para a Air Force Mag, publicação da Força Aérea dos EUA.

“O teste nos traz um passo mais perto de fazer a transição do HAWC para um programa de registro que oferece capacidade de próxima geração para os militares dos EUA”, completou.

Rússia

No começo de outubro, o governo russo afirmou que testou com sucesso o lançamento de um míssil de cruzeiro hipersônico chamado Tsirkon, ou Zircon, a partir de um submarino pela primeira vez.

O Ministério da Defesa, que testou o disparo do míssil Tsirkon de um navio de guerra em julho, disse que o submarino Severodvinsk disparou a arma enquanto estava no Mar de Barents, situado ao norte da Noruega e da Rússia, e atingiu o alvo escolhido.

“O teste de disparo do míssil Tsirkon de um submarino nuclear foi considerado um sucesso”, disse o Ministério da Defesa.

Alguns especialistas ocidentais questionam a quão avançada é a nova geração de armas da Rússia, mas reconhecem que a combinação de velocidade, capacidade de manobra e altitude dos mísseis hipersônicos fazem com que sejam difíceis de rastrear e interceptar as armas.

Putin anunciou uma série de novas armas hipersônicas em 2018. Ele disse ainda que eles poderiam atingir quase qualquer ponto do mundo e escapar de um escudo antimíssil construído pelos Estados Unidos.

Coreia do Norte

A Coreia do Norte disparou um míssil antiaéreo recém-desenvolvido em setembro, segundo a agência estatal KCNA. Foi o segundo teste de armas norte-coreano, após o lançamento, de um míssil hipersônico nunca antes visto.

O governo do país também disparou nas últimas semanas mísseis balísticos e um míssil de cruzeiro com potencial nuclear.

A agência oficial do governo acrescentou que o míssil tem novas tecnologias, como um controle de lemes e um motor de voo de impulsão dupla.

*Com informações da CNN Internacional e Reuters.

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