Entenda por que Charles não citou Jeffrey Epstein em discurso nos EUA
Vítimas de bilionário abusador americano cobraram posicionamento e encontro com monarca britânico

O rei Charles fez um discurso durante uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos nesta terça-feira (28).
Foi um discurso abrangente que enfatizou os laços entre os Estados Unidos e o Reino Unido, ao mesmo tempo que fez alusão a algumas questões atuais mais sensíveis que a aliança transatlântica militar Otan enfrenta.
O monarca, porém, não fez nenhuma menção às sobreviventes dos abusos do bilionário americano condenado Jeffrey Epstein. Elas chegaram a pedir um encontro pessoal com o rei durante sua visita aos EUA, o que não irá acontecer.
No entanto, houve uma parte do discurso que será vista como uma referência ao grupo.
“Em ambos os nossos países, é justamente o fato de termos sociedades vibrantes, diversas e livres que nos dá nossa força coletiva, inclusive para apoiar as vítimas de alguns dos males que, tão tragicamente, existem em nossas sociedades hoje”, disse o soberano de 77 anos.
A realidade é que Charles é o chefe simbólico do sistema jurídico, assim como do governo. Enquanto seu irmão, Andrew Mountbatten-Windsor, está sendo investigado pelas autoridades britânicas por suas ligações com Epstein – algo que o ex-príncipe nega repetidamente –, seria difícil para o rei se dirigir às vítimas dos abusos cometidos pelo falecido agressor sexual.
Isso porque ele não pode ser visto se envolvendo no sistema legal, o que poderia prejudicar a investigação em andamento contra seu irmão e comprometer sua posição constitucional.
Dito isso, o rei Charles tem sido muito claro ao enfatizar que, em qualquer situação de abuso, as vítimas devem sempre vir em primeiro lugar.
Na noite de segunda-feira (28), durante uma festa no jardim da residência do embaixador britânico nos Estados Unidos, a rainha Camilla fez questão de conversar com representantes de organizações que trabalham com sobreviventes de violência doméstica.


