Equador diz que ataques dos EUA contra barcos fazem parte de ação conjunta

Familiares de tripulantes dizem que embarcações transportavam pescadores e não continham drogas; governo equatoriano afirma que ação foi resultado de investigações com Washington

Da Reuters
Compartilhar matéria

O Equador defendeu nesta sexta-feira (4) as operações dos EUA que interceptaram e afundaram três embarcações equatorianas nesta semana, enquanto parentes de alguns tripulantes afirmaram que os homens eram pescadores e acusaram Washington de agir sem provas.

O episódio é o mais recente de uma campanha cada vez mais ampla dos EUA contra o tráfico marítimo de drogas no Pacífico oriental, que tem gerado críticas de grupos de direitos humanos e preocupação na América Latina quanto ao uso de força letal no mar.

Os familiares contestaram a versão oficial. A esposa de um tripulante, que se identificou como Rosalba, de 47 anos, sem revelar o sobrenome, disse por telefone que os homens estavam pescando quando foram abordados e que nenhuma droga foi encontrada.

“Não entendo por que o governo dos EUA tem que agir de forma tão arbitrária”, disse ela, acusando-o de violar os direitos humanos dos pescadores.

Ela afirmou que a embarcação transportava apenas peixes e alegou que foi atingida em águas equatorianas, e não internacionais. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente a versão dela.

O governo do Equador afirmou que a operação foi resultado de investigações conjuntas com Washington, visando a logística do contrabando de drogas ligada a gangues criminosas.

“Este é um trabalho realizado por meio da cooperação internacional”, disse o ministro do Interior, John Reimberg, à emissora Teleamazonas, acrescentando que as embarcações serviam como pontos flutuantes de reabastecimento que ajudavam lanchas a transportar drogas para o norte, em direção ao México e aos Estados Unidos.

O SOUTHCOM (Comando Sul dos EUA) afirmou que as embarcações afundadas nesta semana estavam sendo usadas como postos de reabastecimento para o tráfico de drogas e disse que elas estavam ligadas à gangue Los Choneros.

Um vídeo divulgado pelos militares mostrou imagens em preto e branco de agentes se aproximando e abordando uma embarcação antes de ela ser explodida no mar. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente a data e o local das imagens.

A Marinha do Equador informou que 28 tripulantes de duas embarcações — nove do Conquista 2 e 19 do OM2 — chegaram a Manta às 15h (horário local), a bordo de uma embarcação da guarda costeira. Outros oito tripulantes do Conquista 2 ainda estavam retornando ao porto a bordo de outra embarcação.