Equipe de resgate não encontra sobreviventes em túnel no Nepal

Engenheiros do Exército nepalês fizeram buscas no projeto hidrelétrico de Rasuwagadhi, mas não encontraram sinais de presença humana

Sangi Gurung e Sana Noor Haq, da CNN
Compartilhar matéria

Equipes de emergência encarregadas de procurar pessoas em túneis de Rasuwa, no Nepal, não encontraram “sinais de presença humana”, segundo o gabinete do primeiro-ministro, após as enchentes catastróficas que inundaram a rede subterrânea.

Uma equipe de engenheiros liderada pelo Exército do Nepal vistoriou o projeto hidrelétrico de Rasuwagadhi, perto do rio Bhote Koshi, mas não encontrou “ninguém” no interior, informou o gabinete em um comunicado nesta segunda-feira (31).

Segundo o comunicado, os funcionários chegaram à “parte mais interna” do túnel, que se estende até o ponto final, e fizeram um drone sobrevoar o interior da estrutura. “No entanto, não foram encontrados sinais de presença humana”, acrescentou.

Uma série de projetos hidrelétricos se estende por partes do norte do Nepal, e os túneis ficaram submersos em meio a uma grande quantidade de sedimentos e lama após as fortes enchentes da semana passada.

Equipes especializadas agora lideram as buscas por 933 trabalhadores que continuam desaparecidos e podem estar presos vivos na rede de túneis.

Onde estão os trabalhadores?

Uma lista compilada pela Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal (IPPAN) no sábado mostrou que cerca de 900 trabalhadores estavam desaparecidos em 11 projetos hidrelétricos afetados pelas enchentes.

Cada usina apresenta desafios próprios para os socorristas, que tentam encontrar a maneira mais segura de entrar. Algumas possuem túneis internos com vários quilômetros de extensão, o que significa que qualquer trabalhador preso pode estar muito distante da entrada. Salas e recursos existentes dentro dos túneis poderiam, em teoria, ajudar pessoas presas a sobreviver por semanas, embora o fornecimento de ar possa ser outro problema.

Na usina hidrelétrica Trishuli 3A, onde 42 pessoas foram dadas como desaparecidas, uma grande operação está em andamento para perfurar um túnel e permitir que os socorristas procurem sobreviventes.

O túnel que leva à casa de força subterrânea tem mais de quatro quilômetros de extensão. Dezenas de pessoas trabalhavam no local quando a enchente atingiu a usina.

Não está claro quanto do túnel foi preenchido por lama ou água, afirmou Arnold Dix, geólogo australiano que aconselhou os socorristas na usina Trishuli 3A.

“Então, talvez só tenhamos que escavar 10 metros, ou talvez tenhamos que escavar 100 metros”, disse.

Há outros fatores de risco, afirmou Dix. A sala das turbinas pode ter sido inundada se os sistemas de desligamento de emergência tiverem falhado, potencialmente afogando qualquer pessoa que estivesse dentro. A água também poderia ser liberada pelas perfurações feitas pelas equipes, representando um risco para os próprios socorristas.

Seis pessoas são consideradas desaparecidas dentro da usina hidrelétrica de Chilime, afirmou Jenjen Lama, guia de montanha envolvido nas operações de busca e resgate, à CNN nesta segunda-feira.

Ele compartilhou um diagrama da instalação, que mostra um túnel de 250 metros que desce a partir da entrada antes de se conectar a uma estrutura maior, que inclui uma área de manutenção, uma sala de controle e o transformador da usina.

Equipes de resgate descobriram no domingo que o túnel estava “completamente bloqueado por sedimentos e lama profundos”, que chegaram à altura do peito dos socorristas, segundo Lama. Eles conseguiram avançar apenas 130 metros pelo túnel antes de precisar interromper o trabalho. A infraestrutura danificada também dificulta o pouso de helicópteros no local, afirmou.

“Lá dentro há uma cozinha, há comida... mas não sei quanto ao oxigênio”, disse.

Até 27 usinas hidrelétricas foram danificadas no Nepal, e cerca de 12 foram praticamente destruídas, segundo Dix.

 

inglês