Escultura que relembra massacre será retirada da Universidade de Hong Kong

Obra "Coluna da Infâmia" homenageia vítimas do Massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989. Artista diz que decisão é "moralmente um grande problema"

Escultura de artista dinamarquês "Coluna da Infâmia" deve ser retirada da Universidade de Hong Kong
Escultura de artista dinamarquês "Coluna da Infâmia" deve ser retirada da Universidade de Hong Kong Foto: Katherine Cheng/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Eric CheungHannah Ritchieda CNN

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A Universidade de Hong Kong removerá de seu campus a famosa escultura “Coluna da Infâmia”, feita em memória das vítimas do Massacre da Praça da Paz Celestial em 1989, informou uma carta escrita pela equipe jurídica do campus na sexta-feira (8).

A carta veio de Mayer Brown LLP, um escritório de advocacia internacional sediado em Londres que representa a universidade.

O escritório declarou que a estátua deveria ser removida “antes das 17h do dia 13 de outubro de 2021”, ou seria considerada “abandonada” e tratada “da maneira que a universidade considerar mais conveniente”.

A carta foi dirigida aos líderes da Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Democráticos Patrióticos da China, uma organização pró-democracia criada durante os protestos da Praça da Paz Celestial, que recebeu a escultura em empréstimo permanente em 1997.

Depois que vários de seus membros foram presos sob a lei de segurança nacional de Hong Kong, a Aliança anunciou sua dissolução no mês passado e está agora em processo de encerramento.

A escultura, que fica no topo de um pódio no Edifício Haking Wong da universidade, faz parte de uma série de obras do artista dinamarquês Jens Galschiøt.

Ela foi criada em 1997 para prestar homenagem às vítimas da repressão da Praça Tiananmen/Paz Celestial, na qual os militares chineses esmagaram os protestos liderados por estudantes universitários em Pequim.

A Coluna da Infâmia, na Universidade de Hong Kong. Escultura homenageia vítimas do Massacre da Paz Celestial em 1989 / Katherine Cheng/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

A escultura “serve como um aviso e uma lembrança para as pessoas de um evento vergonhoso que nunca deve voltar a ocorrer”, diz a descrição no site de Galschiøt.

Galschiøt entregou a escultura a Albert Ho e Lee Cheuk-yan, ambos envolvidos nos protestos da Praça Tiananmen e antigos líderes da Aliança.

Na sexta-feira, Galschiøt disse à CNN que está considerando uma “ação legal” se a estátua for removida, pois a obra ainda é de sua propriedade.

“Eles deram cinco dias para remover a escultura, isso não é possível. Muitos estudantes estão na cadeia, isto é realmente louco e injusto. Eu tinha um acordo com a universidade para a exposição permanente desta escultura”, disse ele.

“Esta é um grande posicionamento do governo chinês se eles a removerem. É o único monumento que lembra a repressão de Tiananmen, e moralmente é um grande problema”.

(Esta matéria foi traduzida. Leia a original, em inglês)

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