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    Esforços diplomáticos tentam destravar entrada de ajuda para Gaza; Israel diz que guerra “será longa”

    Faixa de Gaza está sendo “estrangulada” pelo cerco e pelos ataques aéreos de Israel há uma semana, segundo especialistas da ONU

    Família de palestinos sentados sobre os escombros de um dos prédios destruídos em ataque aéreo de Israel em Rafah, na Faixa de Gaza.
    Família de palestinos sentados sobre os escombros de um dos prédios destruídos em ataque aéreo de Israel em Rafah, na Faixa de Gaza. Abed Rahim Khatib/Anadolu via Getty Images

    Helen ReganKareem El DamanhouryEyad KourdiAbeer SalmanAbby Bagginida CNN

    A Faixa de Gaza está sendo “estrangulada” pelo cerco e pelos ataques aéreos de Israel há uma semana, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). À medida que a expectativa de um ataque terrestre do Exército israelense aumenta a preocupação e o risco para os civis em fuga, o ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, alertou nesta segunda-feira (16): “Esta será uma longa guerra”.

    As Forças de Defesa de Israel lançam uma série de ataques aéreos e determinaram um bloqueio completo ao enclave palestino em resposta ao ataque surpresa do grupo radical islâmico Hamas em 7 de outubro, que Israel diz ter deixado pelo menos 1.400 pessoas mortas.

    Após mais de uma semana de bombardeios israelenses, pelo menos 2.808 pessoas, incluindo centenas de crianças, foram mortas na Faixa de Gaza. Mais de 11 mil ficaram feridas, segundo o primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh.

    Na Cisjordânia ocupada, 58 pessoas foram mortas e mais de 1.250 feridas, disse o Ministério da Saúde palestino em Gaza.

    Grupos de direitos humanos alertam que o cerco total imposto por Israel impedindo que bens essenciais entrem em Gaza viola o direito internacional. Civis e autoridades palestinas alertam que o suprimento de alimentos, água e combustível estão acabando.

    O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chamou a violência do Hamas contra Israel de “o pior massacre do povo judeu desde o Holocausto”.

    Nesta segunda-feira, secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, reiterou que Israel “sempre terá o apoio dos Estados Unidos”, em uma entrevista coletiva ao lado do ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant.

    Gallant reiterou que Israel não pretende cessar fogo tão cedo: “O preço será alto, mas vamos vencer para Israel e para o povo judeu e para os valores em que ambos os países [os EUA e Israel] acreditam.”

    Segundo as Forças de Defesa de Israel, o Hamas está mantendo 199 cidadãos israelenses e estrangeiros como reféns em Gaza. O número aumentou em relação à contagem anterior de 155 reféns, e acredita-se que muitos estejam detidos no labirinto de túneis subterrâneos sob Gaza.

    Os esforços diplomáticos para estabelecer um corredor humanitário e enviar suprimentos desesperadamente necessários para Gaza se intensificam a medida que os 2,3 milhões de habitantes da faixa costeira começam a sofrer com a falta de água potável, alimentos, combustível e medicamentos.

    As agências humanitárias alertam que essa situação pode resultar numa crise humanitária sem precedentes.

    “Gaza está sendo estrangulada e parece que o mundo neste momento perdeu a sua humanidade”, disse o comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras, Philippe Lazzarini, num apelo urgente para que Israel permita que a ajuda humanitária entre no território. “Sabemos que água é vida – Gaza está ficando sem água e Gaza está ficando sem vida.”

    Lazzarini disse que Israel não permitiu a entrada de “nem uma gota de água, nem um grão de trigo, nem um litro de combustível” em Gaza nos últimos oito dias e as pessoas presas no território densamente povoado estão desesperadas.

    A passagem de Rafah

    Nesta segunda-feira (16), o gabinete do primeiro-ministro de Israel negou que houvesse quaisquer acordos para a abertura da passagem fronteiriça de Rafah, entre Gaza e o Egito – o único ponto de entrada para a Faixa de Gaza que Israel não controla.

    “Neste momento não há cessar-fogo nem assistência humanitária na Faixa de Gaza em troca da saída de estrangeiros”, disse o gabinete do primeiro-ministro à CNN.

    Cinco caminhões de gasolina vazios da ONU estão esperando no lado da fronteira de Gaza na esperança de cruzar para o Egito e reabastecer, disse um oficial palestino responsável pela passagem da cidade de Rafah à CNN nesta segunda-feira (16).

    “Há cinco caminhões de gasolina vazios vindos de Gaza, com bandeiras da ONU, tentando entrar no Egito para abastecer, mas os portões estão fechados”, relatou o responsável.

    “Não recebemos nenhuma ordem dos egípcios para abrir os portões. Esses caminhões estão de prontidão. Há grupos de pessoas esperando ao lado desses caminhões. Nada está aberto”, disse o funcionário.

    O responsável afirmou que “nada passou pelo Egito” ainda, apesar de vários caminhões estarem no lado egípcio da fronteira na esperança de atravessar para entregar abastecimentos a Gaza.

    Do outro lado, toneladas de materiais para ajuda humanitária de vários países, como alimentos e outros suprimentos, estão retidas na Península do Sinai, no Egito, há dias.

    Brasileiros aguardam na fronteira

    Entre os civis que esperam a passagem estão 28 brasileiros que desejam ser repatriados; 16 estão em Rafah e 12 em Khan Yunis, ambas cidades no sul de Gaza.

    Depois de atravessar a passagem para o Egito, o plano é que os brasileiros sejam deslocados para o Aeroporto de El Arish, onde embarcariam em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

    Uma aeronave modelo VC-2, disponibilizada pela Presidência da República, aguarda autorização em Roma, na Itália, para ir ao país africano.

    O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, informou que está negociando a saída desse grupo.

    “Estamos negociando essa saída. Esperamos que saiam todos bem. Acabo de estar em contato com os brasileiros que estão em Rafah aguardando. Até agora, eles não conseguiram”, disse.

    Segundo a embaixada brasileira no Egito, as trativas para a abertura da passagem continua. A autorização depende de acerto Israel, Egito e autoridades de Gaza – o que ainda não ocorreu, destacaram fontes diplomáticas à analista da CNN Jussara Soares.

    Colapso nos hospitais de Gaza

    Os hospitais em Gaza estão sob constante bombardeio dos ataques aéreos israelenses, enfrentando o fechamento iminente devido à falta de combustível para manter ativos os geradores que bombeiam água e mantêm equipamentos salva-vidas funcionando, como ventiladores e incubadoras. O diretor-geral do Crescente Vermelho Palestino (organização ligada à Cruz Vermelha), Marwan Jilani disse à CNN que o combustível deve acabar ainda nesta segunda (16) ou na terça-feira (17).

    À beira do colapso, os hospitais ficaram sem analgésicos e muitos habitantes de Gaza começam a sofrer de desidratação grave devido à falta de água potável, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras. Várias agências humanitárias disseram que o combustível e outras necessidades podem acabar em horas, não em dias.

    As 50.000 mulheres que estão grávidas em Gaza – 5.000 das quais devem dar à luz no próximo mês – enfrentam um “pesadelo duplo”, disse Dominic Allen, representante do Fundo de População das Nações Unidas, e correm o risco de ter seus bebês em condições insalubres e sob a ameaça de bombardeios, colocando em risco sua saúde e a de seus filhos.

    Dezenas de corpos não identificados foram enterrados em valas comuns na cidade de Gaza, incluindo crianças, bebês, mulheres, homens e idosos, de acordo com o chefe do gabinete de comunicação social do governo controlado pelo Hamas, Salama Marouf.

    Vídeos nas redes sociais verificados pela CNN mostram dezenas de corpos embrulhados em plástico branco trazidos do hospital Shifa, em Gaza, para um cemitério onde foram colocados em fileiras organizadas.

    Para agravar a situação crítica, centenas de milhares de pessoas fogem das suas casas no norte de Gaza e tentam rumar para sul através das ruas devastadas antes que a ofensiva israelense por terra comece.

    Lazzarini, da ONU, disse que pelo menos 1 milhão de pessoas foram forçadas a fugir das suas casas durante a última semana e que pelo menos 400 mil pessoas deslocadas estão se abrigando em escolas e edifícios da ONU, mas há pouco espaço para lidar com o número tão grande de deslocados.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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