Especialista detalha próximos passos de acordo de paz em Gaza
Em entrevista à CNN, o pesquisador de Harvard e professor da UFF Vitelio Brustolin detalha custos e desafios da reconstrução de Gaza
A Faixa de Gaza inicia uma nova fase com o estabelecimento do cessar-fogo entre Israel e Hamas, marcada pelo retorno gradual de seus habitantes às áreas devastadas pelo conflito. Em entrevista à CNN Brasil, o pesquisador de Harvard e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) Vitelio Brustolin afirmou que a libertação de reféns representa o primeiro passo de um complexo processo de reconstrução e pacificação da região.
De acordo com o especialista, a região apresenta extensas áreas de devastação, especialmente em sua região norte, onde importantes centros urbanos foram severamente afetados pelos confrontos.
Custos e desafios da reconstrução
"A reconstrução da Faixa de Gaza demandará investimentos estimados em US$ 53 bilhões. Recursos que, segundo o plano proposto, viriam principalmente de países ricos, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, além de doações internacionais", explicou Brustolin. Além disso, o processo inclui ainda a complexa tarefa de remoção de armamentos e limpeza de escombros em uma área densamente povoada.
Um dos principais obstáculos para a implementação do acordo é a questão da desmilitarização. "O Hamas já manifestou resistência em entregar suas armas, enquanto o Movimento da Jihad Islâmica na Palestina também declarou que manterá seu arsenal, contrariando um dos pontos fundamentais do acordo que prevê a entrega de armamentos em troca de anistia.", ressaltou.
Governança e infraestrutura
O plano prevê a transferência do poder na Faixa de Gaza para um grupo de tecnocratas, supervisionados por um conselho de paz. A região necessitará de completa reconstrução de sua infraestrutura básica, incluindo sistemas de água encanada, esgoto e energia elétrica. Para auxiliar neste processo, equipes especializadas em assuntos civis e logística, incluindo 200 profissionais dos Estados Unidos, estão sendo enviadas à região.
A ONU (Organização das Nações Unidas) já possui suprimentos, medicamentos e alimentos reservados para atender a população por três meses, período inicial desta primeira fase do acordo. No entanto, o processo completo de reconstrução e estabilização deve se estender por anos, envolvendo desafios logísticos, políticos e de segurança significativos.


