Especialista explica possíveis cenários na Venezuela após captura de Maduro

À CNN, Vitélio Brustolin explicou possíveis caminhos para sucessão política na Venezuela após o ataque americano, destacando papel dos militares na transição de poder

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

A Venezuela enfrenta um cenário de profunda incerteza política após o ataque dos Estados Unidos e captura do ditador Nicolás Maduro, ocorrido na madrugada deste sábado (3). A situação levanta questões sobre a linha sucessória e o futuro político do país, conforme analisou o professor e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin em entrevista à CNN.

 

De acordo com a Constituição venezuelana, em situações normais, a vice-presidente Delcy Rodriguez seria a próxima na linha sucessória caso Nicolás Maduro esteja ausente do poder. No entanto, como explica Brustolin, essa regra pode não se aplicar em um contexto de intervenção estrangeira: "Pela Constituição da Venezuela, a vice-presidente seria próxima na linha sucessória, mas isso em situações normais, não na deposição por uma força estrangeira".

O pesquisador ressalta que, tecnicamente, Rodriguez já assumiu o poder e inclusive solicitou provas de vida de Maduro. Na sequência constitucional, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodriguez, seria o próximo na linha. Contudo, Brustolin questiona a lógica de uma intervenção americana que apenas substituiria Maduro por outro representante do mesmo regime.

O papel das Forças Armadas na transição

Um fator crucial para qualquer transição política na Venezuela é o posicionamento das Forças Armadas, que contam com um número desproporcional de generais. "O regime é apoiado pelas Forças Armadas, que tem mais de 2 mil generais para uma Força Armada de 340 mil, aqui contando os paramilitares. É um número extraordinariamente elevado", explicou Brustolin, comparando com o Brasil, que possui cerca de 300 generais para um contingente de 360 mil militares.

Segundo o pesquisador, Maduro promoveu generais para diversas funções estratégicas, incluindo direção de emissoras estatais de TV e controle de mineração. Existem relatórios que apontam o envolvimento de alguns desses militares em atividades ilícitas, como tráfico de drogas e operações de câmbio paralelo.

Uma possível solução para evitar uma guerra civil seria a proposta de anistia feita pelo candidato nas eleições de 2024 na Venezuela, Edmundo Gonzalez aos militares. "Gonzalez acredita que a anistia possa resolver essa transição de poder sem a guerra civil", explicou Brustolin.

O especialista concluiu que não seria do interesse de ninguém, especialmente da população que "sofre há mais de 25 anos por esse regime ditatorial", que ocorra uma guerra civil. Ele mencionou a existência de relatórios da ONU que documentam perseguições a opositores, torturas e assassinatos pelo regime atual, ressaltando que a população civil não possui armas para enfrentar as forças militares em um eventual conflito.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.