Especialista: Maduro pode virar exemplo do poder do imperialismo americano

Lucas Leite, professor de Relações Internacionais da FAAP, analisa os possíveis cenários após a captura do líder venezuelano pelos Estados Unidos

Da CNN Brasil
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A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos representa uma nova fase nas relações geopolíticas globais e pode transformá-lo em um símbolo do poder imperialista americano, segundo análise de Lucas Leite, professor de Relações Internacionais da FAAP, em entrevista ao CNN Prime Time.

O especialista explicou que a operação americana na Venezuela difere significativamente de intervenções anteriores como no Iraque, no início dos anos 2000. "O retorno da agenda de petróleo, de energia ligada a combustíveis fósseis a partir da política externa dos Estados Unidos é algo mais recente da política de Donald Trump", afirmou Leite.

O especialista destacou que, diferentemente das intervenções anteriores, o discurso americano atual não menciona democracia ou mudança de regime. "Se nós olharmos o discurso americano agora de Donald Trump, a palavra democracia não consta em momento algum. Enquanto a palavra petróleo, por exemplo, foi dita mais de uma dezena de vezes", observou.

Interesses econômicos e manutenção do regime

De acordo com Leite, os Estados Unidos parecem dispostos a manter o atual regime chavista por meio de Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente a presidência da Venezuela, desde que haja acordo sobre a exploração petrolífera. "O objetivo não é colocar um regime novo, que seja mais pró-americano, mas que haja uma anuência dos interesses americanos em relação à exploração de petróleo", explicou.

Esta abordagem pragmática indica uma mudança na política externa americana, que agora parece priorizar interesses econômicos diretos sobre ideais de transformação política. "Os Estados Unidos estão reassumindo o seu papel de uma potência que é imperialista e que vai garantir os seus interesses, inclusive por meio da força", analisou o professor.

Impacto na ordem internacional

A captura de Maduro também envia uma mensagem preocupante para a ordem internacional, segundo o especialista. "Quando os Estados Unidos fazem o que fazem, a indicação que ele dá é: essa é a minha área de influência, o hemisfério ocidental é onde eu atuo e aqui mando eu", afirmou Leite.

Esta postura pode legitimar ações semelhantes de outras potências em suas respectivas áreas de influência. "De uma certa maneira, o que está dizendo para a Rússia é: praticamente o que você fez com a Ucrânia é aceitável", exemplificou o professor, mencionando também as implicações para a China em relação a Taiwan.

Quanto ao futuro de Maduro, Leite vê duas possibilidades: "Ele pode virar um representante martirizado de resistência dentro do país, caso haja algum tipo de resistência, ou, e é mais provável, ele seja utilizado justamente como exemplo para outros países da região".

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