Especialistas analisam queda de Boeing 737 na China; veja simulação da descida

Boeing 737-800 da China Eastern Airlines saiu de Kunming em direção a Guangzhou e caiu mais de sete mil metros em menos de dois minutos

Montagem do Boeing 737 da China Eastern Airlines que caiu com 132 pessoas no dia 21 de março de 2022
Montagem do Boeing 737 da China Eastern Airlines que caiu com 132 pessoas no dia 21 de março de 2022 Reprodução/CNN

Da CNN

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Um avião, modelo Boeing 737-800, com 132 pessoas a bordo caiu na região montanhosa de Guangxi, no Sul da China, na segunda-feira (21). A aeronave da companhia China Eastern Airlines saiu da cidade de Kunming e tinha como destino Guangzhou.

Um vídeo obtido pela mídia estatal chinesa mostra o momento em que o voo 5735 cai com o bico virado para o chão. Ainda segundo a imprensa chinesa, todos os passageiros e tripulantes morreram.

Dados do Flightradar24, site especializado que computa as rotas de todos os voos registrados no mundo, mostram que o Boeing 737 parou de transmitir dados durante um trecho da viagem.

Minutos depois de nivelar a uma altitude de cruzeiro de 8.839 metros após uma primeira descida – já enviando sinal novamente -, o avião começou um mergulho rápido, descendo mais de 7.620 metros em menos de dois minutos. Os dados de voo foram perdidos a 975 metros do solo. (veja na montagem acima e no vídeo abaixo, em inglês)


Mark Weiss, um piloto aposentado, analisou que este modelo não tem a tecnologia que pode ter causado acidentes com o Boeing 737 Max.

“Este é, provavelmente, um dos modelos mais seguros já construídos. Este era o modelo antes do Max e que não tinha o sistema MCAS nele”, afirmou o ex-piloto. “Mesmo avião, problemas diferentes”, complementa.

O 737-800 é a segunda aeronave mais utilizada no mundo, tendo mais de 4.500 unidades em todos os países. Só nos Estados Unidos, são 800 aviões do tipo.

A China Eastern Airlines disse que deixará toda sua frota do modelo no chão enquanto as investigações continuam.

Outro especialista ouvido pela CNN pontuou que as primeiras evidências são “sinistras”.

“Receio que as primeiras evidências deste acidente apontem que você vai investigar de maneira mais cuidadosa a tripulação do voo”, pontuou.

Além disso, o analista de aviação da CNN Pete Muntean destacou que os “especialistas falam que um avião não deve cair dessa maneira”.

Dezenas de investigadores foram enviados ao local da queda, que é de difícil acesso por se tratar de uma região montanhosa e com vegetação densa.

Nenhum sobrevivente foi encontrado até agora, assim como seus pertences. Porém, nesta quarta-feira (23), uma das duas caixas pretas da aeronave foi encontrada. Não foi possível identificar imediatamente se era o gravador de dados de voo ou o gravador de voz da cabine, informou um funcionário da Administração de Aviação Civil da China (CAAC).

Como é um modelo da Boeing, uma equipe dos Estados Unidos liderada por um investigador do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) dos EUA foi destacada para a investigação, assim como representantes da própria Boeing, da GE - a fabricante das turbinas - e da Administração de Aviação Federal dos EUA.

/ Reprodução/CNN

Pete Muntean, analista da CNN, também ponderou que o governo da China ainda classifica a operação como um resgate, mas, conforme o tempo passa e analisando as circunstâncias do acidente, ela tem se tornado uma "operação de recuperação".

Porém, todo esse processo complexo pode levar meses, se não anos, para ser concluído, mesmo que os investigadores estejam sob muita pressão de famílias enlutadas e do público em geral.

O acidente

O voo partiu de Kunming às 13h11 locais (02h11 pelo horário de Brasília), mostraram os dados do FlightRadar, e deveria pousar em Guangzhou às 15h05 (04h11).

O avião estava voando a uma altitude de 29.100 pés às 03h20 pelo horário de Brasília. Pouco mais de dois minutos e 15 segundos depois, os dados mostraram que havia descido para 9.075 pés.

Em mais 20 segundos, sua última altitude rastreada foi de 3.225 pés, indicando uma descida vertical de 31.000 pés por minuto, segundo o Flightradar. Os dados meteorológicos disponíveis online mostraram condições parcialmente nubladas com boa visibilidade em Wuzhou no momento do acidente.

Os investigadores tentarão recuperar as duas caixas pretas do avião – o gravador de dados de voo e o gravador de voz da cabine – para ajudar a esclarecer o acidente.

De acordo com a Aviation Safety Network, o último acidente fatal com jato na China foi em 2010, quando 44 das 96 pessoas a bordo morreram quando um jato regional Embraer E-190 da Henan Airlines caiu na aproximação ao aeroporto de Yichun, que estava com baixa visibilidade.

Em 1994, um Tupolev Tu-154 da China Northwest Airlines que voava de Xian para Guangzhou caiu, matando todas as 160 pessoas a bordo e classificando-se como o pior desastre aéreo da China, de acordo com a Aviation Safety Network.

Modelo Boeing 737-800

O avião que sofreu o acidente era um Boeing 737-800. Esta é a versão mais comum dos jatos da Boeing que atualmente estão em serviço, e é o carro-chefe das frotas de muitas companhias aéreas.

Existem 4.502 dos 737-800 em serviço em todo o mundo, de acordo com a empresa de análise de aviação Cirium, tornando-o de longe o avião Boeing mais comum em serviço.

É o modelo de avião mais utilizado nos Estados Unidos, onde há 795 em serviço, assim como na China, que tem 1.177 operando. O modelo ainda é o segundo avião mais usado em todo o mundo, atrás apenas do A320 fabricado pela Airbus.

O 737-800 é um modelo mais antigo, que recentemente foi substituído pelo 737 Max.

Os serviços de rastreamento FlightAware e Flightradar24 informaram que este avião é o Boeing 737-800 da China Eastern Airlines que caiu na segunda-feira com 132 pessoas a bordo; esta é uma foto de arquivo tirada em uma pista chinesa em fevereiro de 2022 / Foto: Zhou Bodian/VCG via Getty Images

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