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    Especialistas avaliam que operação dos EUA na Síria pode ser vitória política para Biden

    Em entrevista à CNN, Leonardo Trevisan comentou que ataque também é demonstrativo de força para países como China e Rússia

    Duda CambraiaGiovanna GalvaniJuliana AlvesRenata Souzada CNN

    em São Paulo

    O ataque dos Estados Unidos que matou o líder do Estado Islâmico, ao ser anunciado em uma nota oficial do presidente Joe Biden, mostra que o episódio poderá ser usado por ele como uma chance de aumentar sua popularidade entre os americanos.

    A avaliação foi feita pelo professor Leonardo Trevisan, professor do curso de Relações Internacionais da ESPM-SP, durante entrevista à CNN nesta quinta-feira (3), na qual Trevisan ressaltou que a “metodologia” já foi utilizada anteriormente por outros líderes estadunidenses.

    “Todos sabemos que o comandante supremo das Forças Armadas é o presidente, e o fato dele enfatizar dá o tom: ele pretende dar um uso politico e de recuperação de popularidade naquele que é o caminho constante dos presidentes americanos – uma ação externa e uma imagem mais forte e firme para recuperar a popularidade”, analisou.

    Para o professor, a ação também é um demonstrativo de força importante que mostra que “os EUA estão voltando a ter algum tipo de protagonismo militar no contexto sírio”, especialmente após ataques dos militantes à prisão síria de Hasakah, no dia 20 de janeiro, a qual abriga combatentes jihadistas sírios e estrangeiros.

    “Os EUA encararam essa ação do Estado Islâmico como uma provocação. O mais importante é observarmos o protagonismo de Biden, que está aproveitando essa situação para voltar a ter uma atitude mais internacional no contexto americano”, afirma Trevisan.

    Além disso, Leonardo Trevisan afirma que, como “pano de fundo”, há a tensão recente entre a Rússia e a união ocidental formalizada pela Organização dos Tratados do Atlântico Norte (Otan). O “recado” do ataque também chega a Taiwan e China, diz o professor, e endossa o poderio militar dos EUA.

    “De alguma forma, é uma demonstração de força das forças armadas americanas. Nós nunca podemos esquecer que é preciso somar, em transporte e capacidade operacional, mais de 40 países para ter uma comparação com o peso da marinha americana”, exemplifica.

    “O orçamento militar americano é de quase 800 bilhões de dólares. Eles têm bases militares em mais de 130 países do mundo. O segundo orçamento, o russo, é de 160 bilhões de dólares”, complementa Trevisan.

    É uma vitória política para Biden, avalia Carlos Gustavo Poggio

    Em entrevista à CNN, o professor de Relações Internacionais da Faap, Carlos Gustavo Poggio, concordou que ação na Síria é uma espécie de vitória ao presidente dos Estados Unidos.

    “É uma vitória política importante para o Biden, não vamos esquecer, em ano de eleição. Este ano tem eleições legislativas nos Estados Unidos e a popularidade do Biden não está bem”, explicou Poggio.

    O professor explicou que o Estado Islâmico possui filiais em diferentes países, enquanto uma organização multinacional. Por isso, é difícil precisar o impacto da ação de hoje. “Eles podem se enfraquecer em algumas regiões, mas se fortalecer em outras.”

    Sobre uma eventual retaliação, Poggio avalia que “do ponto de vista da retórica, sempre há a ideia de retaliação. O que nos interessa saber aqui não é tanto a retórica, mas a capacidade, ou seja, qual é a real capacidade do Estado Islâmico de promover algum tipo de retaliação?”