Estudo sugere que placas tectônicas surgiram há 3,6 bilhões de anos

Michael Ackerson, autor da pesquisa, relacionou a descoberta com a origem da vida na Terra

Planeta Terra em imagem fornecida pela Nasa
Planeta Terra em imagem fornecida pela Nasa Foto: Nasa/Noaa/Goes/Project

Da CNN, em São Paulo

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Uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (14) na revista Geochemical Perspectives Letters forneceu evidências de que as placas tectônicas modernas do planeta Terra surgiram há cerca de 3,6 bilhões de anos. 

As placas tectônicas são uma característica única do nosso planeta. Nenhum outro planeta conhecido pela ciência tem essas placas continentais que se movem, se quebram e colidem entre si ao longo de todos esses anos. 

O novo estudo liderado por Michael Ackerson, um geólogo pesquisador do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian, nos Estados Unidos, usa zircões, os minerais mais antigos já encontrados na Terra, para examinar o passado da Terra. O mais antigo dos zircões no estudo, que veio de Jack Hills, na Austrália, tinha cerca de 4,3 bilhões de anos – o que significa que esses minerais quase indestrutíveis se formaram quando a própria Terra estava em sua infância, com cerca de 200 milhões de anos. Esses minerais fornecem a coisa mais próxima que os pesquisadores têm de um registro químico do mundo nascente.

Os pesquisadores coletaram 15 rochas do tamanho de laranjas de Jack Hills e as reduziram em suas menores partes constituintes – minerais – triturando-as em areia. Os zircões são muito densos, o que torna relativamente fácil de separar do resto da areia usando uma técnica semelhante à garimpagem de ouro.

Entre mais de 3.500 zircões analisados, 200 foram considerados aptos para o estudo e a idade deles foi revelada depois de alguns testes. 

O conteúdo de alumínio de cada zircão também foi objeto de estudo. Testes mostram que os zircões com alto teor de alumínio só são produzidos em casos raros, o que permite aos pesquisadores usar a presença do alumínio para deduzir o que estava acontecendo, geologicamente falando, na época em que o zircão se formou.

Depois de analisar os resultados de centenas de zircões entre os milhares testados, Ackerson e sua equipe decifraram um aumento acentuado nas concentrações de alumínio há cerca de 3,6 bilhões de anos.

“Essa mudança de composição provavelmente marca o início das placas tectônicas modernas e pode sinalizar o surgimento de vida na Terra”, disse Ackerson. “Mas precisaremos fazer muito mais pesquisas para determinar as conexões dessa mudança geológica com as origens da vida.”

 

 

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