Enterro mais antigo do mundo revela emoções do homem primitivo

Cemitério humano mais antigo do mundo foi encontrado no Quênia e data de 78 mil anos atrás

Reuters
14 de maio de 2021 às 11:29
Caverna Panga Ya Saidi, perto da costa do Quênia
Caverna Panga Ya Saidi, perto da costa do Quênia
Foto: Reuters

A descoberta do mais antigo cemitério humano conhecido no Quênia, que data de cerca de 78.000 anos atrás, pela primeira vez, lança luz sobre as habilidades emocionais dos primeiros Homo sapiens, de acordo com uma autoridade queniana.

"A idade da criança é de 2 a 3 anos. Isso é o que aproximamos com base na arcada dentária, e também o próprio sedimento foi datado de 78.000 anos e isso, na verdade, se enquadra no intervalo de tempo do Homo sapiens ou seres humanos anatomicamente modernos. Então, essas são pessoas como você e eu", disse à Reuters Emmanuel Ndiema, chefe de arqueologia dos Museus Nacionais do Quênia.

Descobertas arqueológicas anteriores, disse ele, apenas ajudaram os pesquisadores a entender os aspectos tecnológicos, de sustento e ambientais da vida do homem primitivo.

"Esse tipo de posição de sepultamento nos diz algo sobre o que foi colocado ali intencionalmente, pois é pela primeira vez que estamos começando a ter uma noção do cognitivo e também do emocional. Estamos tendo um vislumbre das habilidades cognitivas e emocionais agora. Por muito tempo, olhamos apenas para a tecnologia, a subsistência, o meio ambiente. Mas estamos começando a entender agora que essas pessoas têm alguns apegos emocionais aos mortos, que eles podem ser capazes de enterrá-los intencionalmente", disse ele.

Na semana passada, os cientistas anunciaram que encontraram o mais antigo sepultamento humano conhecido - de uma criança - em uma caverna chamada Panga ya Saidi, perto da costa do Quênia. Eles apelidaram o jovem de 'Mtoto', que significa 'criança' em suaíli.

A criança, cujo sexo ainda não foi definido, foi colocada na sepultura em posição fletida, o corpo deitado sobre o lado direito, com os joelhos puxados em direção ao peito, segundo os pesquisadores.

Ndyema disse que a descoberta também mostra que os primeiros Homo sapiens viveram em diferentes partes do Quênia, contradizendo uma narrativa de longa data que sugeria que os primeiros humanos se estabeleceram apenas no vale do Rift, no oeste do Quênia.