EUA adotam "petroimperialismo" com Venezuela, diz professor

Secretário de Energia dos EUA afirmou que recursos obtidos com venda de petróleo venezuelano serão controlados pelo governo americano, gerando comparações com práticas imperialistas

Da CNN Brasil
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A correspondente da CNN Priscila Yazbek, ouviu o professor Jeff Colgan, da Brown University e especialista em conflitos relacionados ao petróleo, avaliou que os Estados Unidos estão retornando a um modelo de "petroimperialismo", usando uma tática que já foi empregada no passado para exercer poder e obter vantagens de recursos naturais de outros países.

Segundo o especialista, essa abordagem havia sido deixada de lado pelos EUA nos últimos 50 anos. Colgan comparou a situação atual ao golpe no Irã em 1953, quando a CIA e o MI6 britânico ajudaram a orquestrar uma intervenção porque o Irã estava nacionalizando seu petróleo.

O professor destacou que a situação é diferente do que ocorreu no Iraque, quando os Estados Unidos não falaram em apropriar-se do petróleo, mas sim em modernizar a indústria para que o petróleo fosse vendido beneficiando também o próprio Iraque. Na avaliação de Colgan, a abordagem atual em relação à Venezuela é ainda mais grave do que o que aconteceu na invasão do Iraque.

A avaliação do professor acontece após o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmar nesta quarta-feira (7) que qualquer dinheiro obtido com a venda do petróleo venezuelano será controlado pelo governo americano. A declaração foi feita durante uma conferência do mercado financeiro do Goldman Sachs em Miami.

"Nós vamos deixar o petróleo fluir, vamos vender esse petróleo para refinarias dos Estados Unidos e para o mundo todo para garantir melhores suprimentos, mas essas vendas vão ser feitas pelo governo dos Estados Unidos e depositadas em contas controladas pelo governo americano", disse Wright. Segundo ele, a partir daí, fundos poderão retornar à Venezuela para beneficiar o povo venezuelano.

O secretário também mencionou que o governo Trump, o governo venezuelano e empresas petrolíferas estão discutindo maneiras de compensar as empresas por investirem no país, mas ofereceu poucos detalhes sobre como isso funcionaria. Wright admitiu que aumentar a produção de petróleo e convencer empresas a investir seria um desafio que levaria tempo considerável e dezenas de bilhões de dólares para que a indústria petrolífera venezuelana retornasse aos seus níveis históricos de produção.

Potencial petrolífero e desafios estruturais

A Venezuela possui a maior reserva de petróleo bruto do mundo, com 303 bilhões de barris, aproximadamente um quinto das reservas globais. No entanto, atualmente o país consegue extrair apenas cerca de um milhão de barris por dia, o que representa apenas 0,8% da produção global de petróleo.

Essa produção é menos da metade do que a Venezuela produzia antes de Nicolás Maduro assumir o poder em 2013 e menos de um terço dos 3,5 milhões de barris que o país bombeava antes da entrada do regime de Hugo Chávez no poder em 1999. O declínio é atribuído às sanções econômicas e à deterioração da infraestrutura petrolífera venezuelana.

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