EUA avaliam checar redes sociais de turistas que não precisam de visto

Exigência se aplica a viajantes que usam o Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem, incluindo Reino Unido, Nova Zelândia, Austrália, Japão e Israel

Lauren Chadwick e Michael Williams, da CNN
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Visitantes dos Estados Unidos poderão em breve ter que fornecer seu histórico dos últimos cinco anos nas redes sociais para entrar no país, de acordo com uma nova proposta do governo Trump.

A proposta, publicada no Diário Oficial Federal pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), sugere que viajantes de países que fazem parte de um programa de isenção de visto precisarão fornecer informações pessoais adicionais como parte da verificação eletrônica.

A exigência se aplicaria a viajantes que utilizam o Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA), como parte de um programa de isenção de visto para cidadãos de 42 países, incluindo Reino Unido, Nova Zelândia, Austrália, Japão, Israel e Catar, bem como muitos outros países europeus.

O ESTA é um aplicativo online que visitantes desses países usam para viajar aos EUA para estadias de menos de 90 dias sem visto.

Atualmente, os visitantes que usam o sistema online precisam fornecer informações como passaporte e data de nascimento, além de passar por uma verificação de antecedentes criminais.

As alterações propostas para o pedido de isenção de visto incluem a exigência de fornecer o histórico de redes sociais e a adição de "dados de alto valor", como os números de telefone e endereços de e-mail da pessoa nos últimos cinco anos, bem como os nomes e datas de nascimento de parentes próximos, juntamente com seus locais de nascimento, residências e números de telefone dos últimos cinco anos.

Em 2016, foi adicionada ao aplicativo uma pergunta redes sociais com a seção marcada como “opcional”.

“Se um solicitante não responder à pergunta ou simplesmente não tiver uma conta em uma rede social, o pedido ESTA poderá ser enviado sem qualquer interpretação ou inferência negativa”, afirma agora o site da CBP.

A nova proposta, aberta para consulta pública até 9 de fevereiro, tornaria essas informações obrigatórias, embora não esteja claro como isso afetaria quem busca entrar nos Estados Unidos.

As mudanças estariam alinhadas a um esforço mais amplo do governo do presidente americano Donald Trump para reformular o sistema de imigração legal do país, bem como implementar seu prometido programa de deportação em massa para pessoas que estão no país sem documentos.

Ofensiva contra imigração

Nos últimos 11 meses, o governo Trump implementou mudanças drásticas em praticamente todos os aspectos do processo de imigração, restringindo drasticamente todas as formas de entrada, tanto legais quanto ilegais, nos Estados Unidos.

O governo também tem dado grande ênfase à investigação, incluindo checagem nas redes sociais de pessoas que estão nos Estados Unidos com vistos de estudante.

Em junho, o Departamento de Estado informou às embaixadas e consulados que eles poderiam investigar candidatos a vistos de estudante por "atitudes hostis em relação aos nossos cidadãos, cultura, governo, instituições ou princípios fundadores".

De acordo com essas diretrizes, os candidatos devem configurar seus perfis como públicos, e a falta de presença nas redes sociais pode ser considerada um fator negativo que pode prejudicá-los no processo de candidatura.