EUA dizem apoiar direito do Brasil de ter processo eleitoral livre e justo

Departamento de Estado afirmou em carta a congressistas que continuará "interagindo com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países"

Mariana Janjácomo e Tiago Tortella, da CNN Brasil

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou nesta quinta-feira (15) que o governo americano apoia "o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo".

A declaração foi feita em resposta a uma carta de congressistas, de 24 de setembro, direcionada ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual os políticos questionavam, por exemplo, se o país reconhecerá o resultado da votação presidencial brasileira.

"Continuaremos interagindo com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países", pontuou o Departamento de Estado no documento assinado por Katherine Bowles, secretária-assistente do Departamento de Assuntos Legislativos.

O Departamento de Estado também afirma que os EUA mantêm diálogo regular com governos e a sociedade civil em "todo o Hemisfério Ocidental sobre governança democrática, independência do poder judiciário e integridade eleitoral".

A carta dos congressistas terminava com dois questionamentos, entre eles se o governo dos EUA estaria comprometido a aceitar o resultado das eleições do Brasil. A resposta da administração federal não abordou este tópico diretamente.

Governo Trump justifica sanções contra Moraes e organizações criminosas

Na carta de 24 de setembro, os congressistas listaram, por exemplo, sanções adotadas contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) como exemplos de uma "campanha contínua e multifacetada de interferência e desestabilização no Brasil".

Na resposta desta quinta, o governo americano alegou que avalia todas as informações relevantes "à luz dos critérios legais e regulamentares que regem a competência aplicável" para definir sobre a aplicação de sanções.

Sobre a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o Departamento de Estado afirmou que a ação se baseou em evidências documentadas de graves violações dos direitos humanos.

Assim, reforçaram a posição de que o governo de Donald Trump concluiu que Moraes “abusou de sua posição ao autorizar prisões preventivas injustas e minar a liberdade de expressão”.

Alegaram ainda que ele se envolveu em "uma ação direcionada e politicamente motivada, destinada a silenciar críticos políticos por meio da emissão de ordens sigilosas que obrigavam plataformas online — incluindo empresas norte-americanas de redes sociais — a banir contas de indivíduos por publicarem manifestações protegidas”.

Moraes foi retirado da lista de sanções da Magnitsky em 12 de dezembro de 2025, assim como a esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes.

A carta do Departamento de Estado também abordou a designação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, feita em 28 de junho.

O órgão argumentou que os dois grupos são altamente violentos, contam com milhares de integrantes e são responsáveis ​​por ataques contra forças de segurança, autoridades e civis brasileiros, mantendo redes criminosas que se estendem até os Estados Unidos.

"Essa designação baseou-se na ameaça que tais organizações representam para a segurança dos Estados Unidos e da região", adicionou.