EUA e Irã não querem usar suas forças em grande escala, diz especialista
Ao WW, Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme, analisa impasse entre Washington e Teerã e destaca que nenhum dos lados quer usar a força em grande escala
Os Estados Unidos comunicaram ao Irã que o cessar-fogo "acabou", mas sinalizaram disposição para continuar as negociações rumo ao fim do conflito no Oriente Médio. O cenário foi analisado por Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), que destacou os principais pontos do impasse entre as duas potências ao WW.
Segundo Moita, países como Omã, Catar e Paquistão têm desempenhado papel fundamental como intermediários, transmitindo mensagens entre Irã e Estados Unidos com uma velocidade inédita no processo de negociação.
"Esses países têm feito esse papel de passar as mensagens entre Irã e Estados Unidos, inclusive com velocidade que a gente não viu em outros momentos desse processo de negociação", afirmou.
Ataques no Estreito de Ormuz e descontrole interno
Uma das informações que teria impactado profundamente as negociações é a suposta confissão iraniana de que parte dos ataques realizados contra cinco navios no Estreito de Ormuz foi executada por comandantes de baixo escalão da Guarda Revolucionária.
De acordo com Moita, esses oficiais do componente naval não estariam sob controle total da organização, em razão das perdas sofridas pela cúpula durante a chamada "guerra dos 40 dias".
Além disso, os Estados Unidos teriam dado ao Irã um prazo até sábado (11) à noite para que o país emitisse uma declaração pública garantindo que o Estreito de Ormuz permaneceria aberto à navegação. O Irã, por sua vez, enxerga o Estreito como um ativo estratégico capaz de gerar recursos financeiros rápidos para sustentar sua combalida economia.
Impasse estratégico sem saída clara
Para Moita, nenhum dos dois lados possui um objetivo claro o suficiente para justificar o uso da força em larga escala. "Ambos os lados não querem utilizar a força em grande escala, mas não vão abrir mão de usá-la para sinalizar nesse sentido", declarou o especialista.
Segundo ele, a teoria da estratégia exige uma visão muito clara do que se pretende alcançar com o uso da força — e essa clareza estaria ausente no momento atual.
Nesse contexto, Moita avaliou que os Estados Unidos buscam uma saída "graciosa" do conflito no Oriente Médio. "Trump quer criar uma saída desse atoleiro no qual ele se colocou", disse o analista, ressaltando que o impasse permanece intenso enquanto as negociações continuam por canais diplomáticos indiretos.



