EUA: família acusa polícia de colocar capuz em homem negro e provocar morte

Parentes de Daniel Prude afirmam que os agentes colocaram um saco na cabeça dele após abordagem, em caso ocorrido em março deste ano

Taylor Romine, Benjamin Norbitz e Madeline Holcombe, da CNN

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A família de Daniel Prude, um homem negro, na cidade de Rochester, no estado norte-americano de Nova York, pede a demissão e a prisão de todos os policiais envolvidos na morte dele em março. Os parentes afirmam que os agentes colocaram um saco na cabeça da vítima.

Daniel Prude estava passando por um problema de saúde mental no dia 23 de março, quando o irmão dele, Joe Prude, chamou o Departamento de Polícia de Rochester para ajudar, contou a família em uma entrevista coletiva nessa quarta-feira (2).

Joe disse que o irmão parou de respirar depois que um policial se ajoelhou sobre ele enquanto Daniel era algemado. Quando este foi levado para o hospital, 15 minutos depois, teve morte cerebral decretada, segundo Joe.

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Parentes de Daniel Prude afirmam que policiais colocaram um saco na cabeça dela
Parentes de Daniel Prude afirmam que os policiais colocaram um saco na cabeça dele
Foto: Free The People Roc / Facebook

Organizadores do grupo Free the People Roc, do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), indicaram o nome de três policiais que estariam envolvidos no episódio. A CNN está tentando confirmar a identidade deles e não vai divulgar os nomes por enquanto.

Imagens das câmeras dos uniformes

O vídeo das câmeras dos uniformes dos agentes, fornecido à CNN pelos advogados de Prude, reúne gravações de vários dispositivos e foi editado para mostrar diferentes ângulos do incidente.

Nos primeiros minutos do encontro com os policiais (que durou cerca de 11 minutos no total), Prude, que estava algemado, repete a frase “rezo para Jesus Cristo, amém”. Ele também fala sobre pegar o dinheiro dele e subir em um avião, pergunta sobre as armas dos policiais e pede que eles fiquem longe dele.

Um outro segmento mostra Prude completamente nu no meio da rua às 3h16. Um agente sai do carro em que estava, se aproxima de Prude enquanto pede seis vezes a ele que se deite no chão e aponta um taser (arma de eletrochoque) para ele. 

Prude obedece e os agentes pedem para ele colocar as mãos para trás, o que ele faz rapidamente. Um policial então o algema e Prude diz “sim, senhor” várias vezes.

Outros agentes chegam ao local e um deles parece identificar Prude pelo nome. Três minutos depois que o incidente começou, um policial coloca um saco na cabeça de Prude. Ele rola no chão e grita várias coisas.

Prude parece tentar ficar parado, mas ainda assim três agentes se aproximam para imobilizá-lo e mantê-lo no chão. Segundo a polícia, Prude começa a cuspir e parece vomitar. Aproximadamente 3 minutos e 10 segundos após a imobilização, um agente diz que “ele começou a vomitar, e agora parecia que não tinha compressões torácicas”.

Eles chamam a equipe de emergência para ajudar. Os médicos instruem a virar Prude e a fazer compressões torácicas, o que os policiais fazem. Mas Prude parece não responder e é colocado em uma ambulância às 3h27, 11 minutos após o primeiro agente chegar ao local.

Após a repercussão do caso, que ocorreu na cidade de Rochester, os sete policiais envolvidos na agressão de Prude foram suspensos. 

Visão dos advogados

Os advogados da família dizem que o vídeo mostra que os agentes zombam e provocam Daniel, deixando-o no chão, algemado e nu, e colocam um saco plástico na cabeça dele.

Elliot Shields, um dos advogados da família, afirmou que a defesa de Prude está na fase preliminar da abertura de um processo de homicídio culposo. Ele disse que uma das razões para a família não ter falado publicamente sobre o caso antes foi porque levou um tempo para conseguir as gravações das câmeras dos uniformes dos policiais, e não havia registros do que aconteceu.

“Quantos irmãos ainda precisam morrer para a sociedade entender que isso tem que parar?”, questionou Joe Prude. “Não posso expressar a dor que estou sentindo, e minha família está passando por um inferno.”

Investigação

Uma investigação está em andamento, conduzida pelo gabinete da procuradoria-geral de Nova York, afirmaram a prefeita de Rochester, Lovely A. Warren, e o chefe de polícia local, La’Ron D. Singletary, a jornalistas nessa quarta. Eles ofereceram condolências à família Prude.

Singletary informou que nenhum dos policiais envolvidos no incidente foi suspenso até o momento, enquanto espera-se o resultado da investigação. A procuradoria-geral assumiu oficialmente o caso no dia 16 de abril, disse Warren.

O chefe de polícia também disse que na manhã após o encontro de Prude com os policiais, ele abriu uma investigação interna e criminal sobre o incidente. 

Warren afirmou que depois que Prude morreu, ela foi informada pelo departamento legal de Rochester que a investigação estava sob a alçada da procuradoria-geral e nada podia ser feito no nível municipal até o fim da investigação.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, assinou um projeto de lei em junho que determina que a procuradoria-geral é independente para assuntos relacionados à morte de civis desarmados causadas por agentes. 

“A morte de Daniel Prude foi uma tragédia, e envio minhas mais profundas condolências à família dele. Compartilho das preocupações da comunidade quanto à garantia de uma investigação justa e independente sobre a morte, e apoio o direito de protesto”, disse a procuradora-geral de Nova York Letitia James em um comunicado divulgado nessa quarta.

Enquanto nem o chefe de polícia e nem a prefeita fornecem detalhes específicos sobre o caso ou contam o que é visto nas imagens dos uniformes dos agentes, Warren disse que assim que a investigação terminar, as autoridades poderão dar à família as informações que merecem.

Warren também afirmou que a data da morte é 30 de março, uma semana após o incidente.

Prude declarou nessa quarta que o policial matou um homem negro indefeso, e chamou a morte de Daniel de “assassinato a sangue frio”. Os advogados da família de Prude dizem que “não há o que contestar quando todos virem os vídeos da câmera dos uniformes, eles vão ver um assassinato”.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês.)

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