EUA não se importam com regras internacionais sem benefícios, diz professor

Ao Hora H, Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM analisa crise diplomática entre Brasil e EUA e o avanço da influência americana na América Latina

Da CNN Brasil
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Um novo vídeo publicado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que o domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental "nunca mais será questionado". A publicação, feita na rede social X, retoma o contexto histórico da chamada Doutrina Monroe e reacende o debate sobre a postura dos EUA em relação à América Latina. Ao Hora H, o professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudzit, comentou o tema.

No mesmo período, o secretário de defesa americano Pete Hegseth exortou países da América Latina a abandonarem o Tribunal Penal Internacional — movimento interpretado por analistas como mais uma pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, sobre a região.

Análise do especialista: visão ultrapassada e instrumentalização das regras

Gunther Rudzit avaliou que tentar compreender o cenário atual com base em doutrinas do século passado é um equívoco.

"Você tentar analisar a realidade do hoje com o software do século passado, a gente não vai entender nada", disse. Para ele, esperar que os EUA sigam os protocolos da Convenção de Viena é continuar "olhando o mundo com uma visão do passado".

Rudzit foi enfático ao afirmar que o atual governo americano utiliza as regras internacionais de forma seletiva. "Você tem aí uma atuação de um governo americano que não dá a mínima para as regras internacionais quando elas não lhe interessam, só vão usar quando interessam", afirmou.

Segundo ele, o Tribunal Penal Internacional é um exemplo claro dessa lógica: quando conveniente para pressionar adversários, as regras são invocadas; quando não, são ignoradas ou abandonadas.

Disputa geopolítica e isolamento do Brasil na região

O professor explicou que o interesse dos EUA na América Latina vai além da retórica da Doutrina Monroe. Segundo ele, o objetivo central é impedir que a China domine setores estratégicos como portos, aeroportos, energia, comunicações e inteligência artificial.

"Vão usar de todos os seus instrumentos para pressionar os governos da região a cada vez mais se afastarem da China e se aproximarem de Washington", analisou Rudzit.

Diante desse cenário, o especialista alertou para o isolamento crescente do Brasil. "O Brasil já vem perdendo a liderança já há algum tempo", afirmou, citando erros de política externa que teriam contribuído para esse quadro.

"Nós estamos passando sim por um momento bastante delicado, porque a pressão e o poder americano para mudar as posições dos nossos vizinhos é muito maior do que a nossa", completou.

Recomendações para a política externa brasileira

Para Rudzit, a saída para o Brasil não está em escolher entre Washington e Pequim, nem em retomar a ideia de equidistância da Guerra Fria. O especialista defendeu a construção de "sobreposições de relacionamentos" com diversas potências médias em áreas econômicas, financeiras, tecnológicas e militares.

"Imaginar que os Estados Unidos são os malvados e os chineses são os bonzinhos é ter uma visão completamente errada do mundo", ponderou, citando que "países não têm amigos, países têm interesses".

Sobre o período eleitoral brasileiro, Rudzit alertou que a pressão americana tende a se intensificar até o segundo turno. "A tentativa de ingerência americana vai aumentar, vão usar todas as suas capacidades para isso, inclusive desinformação", advertiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.