EUA pediram para postergar votação da ONU para evitar desgaste do veto, dizem fontes

Últimas tentativas de adiamento foram realizadas na noite de terça-feira (17)

Raquel Landim e Jussara Soares, da CNN, São Paulo e Brasília
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Os Estados Unidos fizeram diversos movimentos diplomáticos para postergar a votação da proposta de resolução sobre o conflito entre Israel e o Hamas proposta pelo Brasil e evitar o desgaste de vetar, dizem fontes que acompanharam de perto às negociações.

Segundo apurou a CNN, as últimas tentativas de adiamento foram realizadas na noite de terça-feira (17), após a explosão no hospital em Gaza, e hoje pela amanhã. As alegações eram de procedimento.

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O objetivo dos americanos era esperar os resultados da viagem do presidente Joe Biden a Israel, mas o Brasil, que ocupa neste mês a presidência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), já havia concedido diversos prazos e avaliou que era hora do órgão se posicionar.

Diante da decisão brasileira de colocar o texto para votar, formou-se um esforço para convencer os americanos a não vetar, do qual participou também a Suíça.

Os EUA tinham três exigências:

  • classificar o Hamas como um grupo terrorista,
  • não apoiar um cessar-fogo neste momento,
  • e garantir o direito de defesa de Israel.

O último ponto tornou-se o mais sensível. Pressionado pelas eleições presidenciais que se aproximam, o governo Biden não tinha espaço para concessões no direito de defesa de Israel.

Os demais países queriam colocar condicionantes, como seguir as convenções internacionais e não atingir civis, e se recusavam a dar um “cheque em branco”.

Lado brasileiro

Ciente das dificuldades, o veto dos Estados Unidos à proposta do Brasil de resolução do conflito Israel-Hamas já era aguardado por integrantes do Itamaraty.
Apesar da frustração de a resolução não ser aprovada no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a avaliação de diplomatas é que o resultado da votação é um avanço.

Integrantes do Itamaraty afirmam que são conhecidas das dificuldades de alinhar os interesses das potências que compõem o Conselho de Segurança.

Todavia, consideram que o Brasil teve êxito em reunir 12 votos favoráveis, entre eles França e China, a partir dos ajustes que foram negociados nos últimos dias.

Diplomatas também consideraram notável as abstenções de Reino Unidos e Rússia, que na segunda-feira (16) teve sua proposta de resolução rejeitada.

De acordo com fontes do Itamaraty, não há um prazo para a apresentação de uma nova proposta. Segundo diplomatas, após o veto dos Estados Unidos a situação segue sendo avaliada.

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