EUA reabrem embaixada na Venezuela em “novo capítulo” diplomático
Washington retoma atividades na capital venezuelana após sete anos de relações interrompidas

O governo dos Estados Unidos reabriu formalmente sua embaixada em Caracas na segunda‑feira (30), disse o Departamento de Estado, chamando o movimento de “um novo capítulo” nas relações diplomáticas com a Venezuela.
Isso ocorre menos de três meses após tropas americanas terem capturado o ditador Nicolás Maduro em uma operação na capital venezuelana.
A administração do presidente Donald Trump tem se envolvido com um governo interino liderado pela ex‑aliada de Maduro, Delcy Rodríguez, incluindo um acordo para que os EUA vendam petróleo venezuelano, e tem concedido isenções de sanções para incentivar investimentos.
Os dois países concordaram no início de março em restabelecer relações diplomáticas, que foram cortadas em 2019 depois que o primeiro governo Trump se recusou a reconhecer Maduro como legítimo líder e passou a apoiar um legislador da oposição como presidente.
“Hoje retomamos formalmente as operações na embaixada dos EUA em Caracas, marcando um novo capítulo em nossa presença diplomática na Venezuela”, afirmou o Departamento de Estado.
Forças americanas capturaram Maduro em 3 de janeiro após meses de tensões elevadas entre os dois países, desencadeando uma série de mudanças na Venezuela. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão sendo julgados em Nova York por acusações de tráfico de drogas.
A invasão ocorreu depois que a administração Trump disse que retomaria o domínio americano no Hemisfério Ocidental, e Trump também citou o sucesso em derrubar Maduro como um modelo para a guerra com o Irã que começou no mês passado.
O secretário de Estado Marco Rubio disse dias após a operação que Washington buscaria primeiro estabilizar a Venezuela, depois iniciar uma fase de recuperação em que empresas americanas teriam acesso aos recursos energéticos do país, antes de finalmente avançar para uma transição política.
O governo Trump nomeou a embaixadora Laura Dogu, diplomata de carreira com experiência na América Latina, para liderar o engajamento com o governo interino.
Em 19 de março, o Departamento de Estado retirou um aviso de “não viajar” para a Venezuela e disse que americanos não corriam mais risco de detenção injusta pelas autoridades do país, embora ainda alerte sobre crimes, sequestros, terrorismo e infraestrutura de saúde precária.
O Departamento de Estado também disse que a equipe de Dogu está restaurando o prédio da embaixada para “preparar o retorno completo do pessoal o quanto antes e a eventual retomada de serviços consulares.”
“A retomada das operações na embaixada é um marco importante na implementação do plano de três fases do presidente para a Venezuela e fortalecerá nossa capacidade de interagir diretamente com o governo interino, a sociedade civil e o setor privado naquele país”, disse o Departamento de Estado.


