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    EUA se unirão a iniciativa para zerar emissões do transporte marítimo, diz Kerry

    Enviado especial para o clima diz que objetivo é atingir meta no mais tardar em 2050; grupo ambiental pede que esforço seja adiantado para 2035

    Setor marítimo emite 1 bilhão de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano, o mesmo que a Alemanha
    Setor marítimo emite 1 bilhão de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano, o mesmo que a Alemanha Foto: Bernd Wüstneck - 6.nov.2020/picture alliance via Getty Images

    Os Estados Unidos se unirão a um esforço da Organização Marítima Internacional (OMI) para zerar as emissões do setor de transporte marítimo global até 2050, anunciou seu enviado especial para o clima, John Kerry.

    A incorporação dos EUA à iniciativa foi divulgada na terça-feira (20), dois dias antes de uma cúpula climática de líderes que o presidente norte-americano, Joe Biden, comandará.

    “Quero anunciar que, em apoio ao esforço global para nos manter ao alcance de (um aumento máximo de temperatura de) 1,5 grau Celsius e em apoio aos esforços globais para zerar emissões o mais tardar em 2050, os EUA estão se comprometendo a trabalhar com países da OMI para adotar a meta de zerar emissões no transporte marítimo internacional”, disse ele em uma conferência realizada pela entidade Ocean Conservancy.

    Esse setor emite, globalmente, 1 bilhão de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano, de acordo com a Ocean Conservancy, o mesmo que as emissões anuais totais da Alemanha.

    Os EUA, assim como a Arábia Saudita, foram um dos dois países a emitirem uma “reserva” formal à estratégia inicial da OMI contra os gases de efeito estufa.

    Kerry disse à conferência que os EUA ajudarão a mobilizar tecnologias necessárias para reduzir rapidamente as emissões do setor, o que exige um aumento de investimentos.

    Autoridades da União Europeia (UE) e do Reino Unido enviaram uma carta a Biden em março exortando os EUA a tratarem das emissões do transporte marítimo em seu próximo plano climático alinhado ao Acordo de Paris de 2015 e propondo que a responsabilidade por todas as emissões de navios seja dividida entre o país de origem e o país de destino.

    Espera-se que o governo Biden anunciará sua nova meta, conhecida como Contribuição Determinada Nacionalmente, já nesta quarta-feira (21), portanto antes da cúpula.

    A Ocean Conservancy, grupo ambiental sem fins lucrativos sediado em Washington, pediu que o governo Biden se comprometa com sua própria meta de zerar as emissões até 2035, dizendo que, pela lei internacional, o país pode obrigar todos os navios que atracam em portos domésticos a aderirem a um padrão de navegação limpa.