EUA usaram quase todos os mísseis de precisão de longo alcance, diz fonte
Status do estoque destes armamentos levantou dúvidas sobre prontidão das Forças Armadas americanas para novos conflitos
O Exército dos Estados Unidos usou grande parte de seu estoque de mísseis de longo alcance e alta precisão durante a guerra contra o Irã, segundo três fontes, levantando questionamentos sobre a prontidão das Forças Armadas para novos conflitos.
Os mísseis são, principalmente, as armas terra-terra do Exército, conhecidas como ATACMS (Sistemas de Mísseis Táticos do Exército) e PrSM (Mísseis de Ataque de Precisão).
Os EUA utilizaram “praticamente todas” essas armas, de acordo com duas das fontes.
As munições de longo alcance são uma parte importante do arsenal das Forças Armadas, permitindo ataques precisos a uma distância segura.
Os ATACMS fornecidos pelos EUA têm desempenhado um papel fundamental na guerra na Ucrânia, permitindo que as forças ucranianas ataquem alvos dentro da Rússia.
O PrSM é uma geração mais nova e avançada que substituirá os ATACMS, que têm um alcance menor.
Analistas afirmam que tais armas, que custam mais de US$ 1 milhão cada (equivalente a cerca de R$ 5,1 milhões), também seriam importantes em qualquer possível conflito com a China.
As fontes se recusaram a revelar quantas unidades de cada tipo de munição os EUA ainda possuem.
O presidente Donald Trump iniciou a guerra contra o Irã em conjunto com Israel em fevereiro, prevendo que o conflito duraria pouco tempo.
Mas, à medida que a guerra se prolonga, as três fontes ouvidas pela reportagem expressaram preocupação de que a redução dos estoques de mísseis possa limitar a capacidade dos EUA de dissuadir adversários, incluindo a Rússia e a China.
Uma quarta fonte disse que, embora o Comando Central americano tenha quase esgotado os mísseis terrestres que possuía antes do início da guerra, tem conseguido reabastecer a partir de estoques militares norte-americanos em outras partes do mundo.
As fontes entrevistadas para esta reportagem falaram sob condição de anonimato.
Analistas concordam que certas munições, incluindo projéteis de artilharia e vários tipos de mísseis, estão sendo produzidas em níveis recordes, mas alertam que os estoques podem ficar muito aquém do necessário para uma guerra prolongada.

Solicitada a comentar sobre os dados relativos aos estoques, a Casa Branca divulgou uma declaração de Donald Trump, afirmando que os EUA tinham “muito mais munições do que qualquer outro país do mundo” e “muito mais do que precisamos”.
“Nossas empresas de defesa estão, neste momento, produzindo mais munições do que jamais produziram antes, além de expandir suas fábricas e equipamentos em níveis recordes”, afirmou o presidente.
A Lockheed Martin, fabricante dos ATACMs e PrSMs, além do sistema antimísseis balísticos THAAD, não respondeu às perguntas sobre as declarações de Trump ou sobre os níveis de estoque dos armamentos.
A Raytheon, fabricante dos mísseis Tomahawk e dos interceptores Patriot, duas importantes armas dos EUA, também não respondeu até a última atualização.
Em resposta a um pedido de comentário, o porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, disse: “As Forças Armadas dos Estados Unidos são as mais poderosas do mundo e têm tudo o que precisam para agir no momento e no local escolhidos pelo presidente".
"Realizamos várias operações bem-sucedidas em todos os comandos de combate, garantindo ao mesmo tempo que as Forças Armadas dos EUA possuam um vasto arsenal de capacidades para proteger nosso povo e nossos interesses", adicionou.
Dúvidas sobre prontidão para novos conflitos
Os números relativos aos estoques circularam dentro do governo federal dos EUA na última semana.
Isso aconteceu durante conversas tensas sobre por quanto tempo mais as forças americanas poderão continuar atacando o Irã sem reduzir os estoques a níveis que limitariam a capacidade das Forças Armadas de responder a crises em outros lugares.
Uma das fontes afirmou que a redução dos estoques de ATACMS e PrSM refletiu uma decisão do governo Trump de evitar formas mais arriscadas de atacar alvos iranianos, como o uso de aeronaves tripuladas para lançar bombas.
Como essas armas permitem que as Forças Armadas ataquem alvos à distância, analistas afirmam que elas seriam valiosas em uma guerra contra um adversário com fortes defesas aéreas, como a China.
Elas têm sido utilizadas para atingir alvos dentro do Irã, de acordo com um relatório de março do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
De acordo com o relatório, os estoques de PrSM já eram baixos inicialmente, uma vez que se trata de uma munição relativamente nova, mas as Forças Armadas dos EUA encomendaram um grande número delas para 2027.
O Exército informou que os ATACMS estão sendo gradualmente retirados de serviço e que a produção está sendo transferida para os mísseis PrSM, mais recentes.
Líderes militares vêm alertando o presidente há semanas de que os estoques de armas defensivas — incluindo os interceptores Patriot, que são eficazes contra mísseis balísticos — estavam diminuindo, disseram duas das fontes.
Na semana passada, vários veículos de comunicação noticiaram que Trump havia decidido não lançar outra ofensiva em grande escala no Irã, em parte porque seus assessores militares haviam alertado sobre o estoque dos EUA.
Uma autoridade norte-americana contestou essas versões, afirmando que o presidente optou por não prosseguir com outro ataque devido à pressão dos países do Golfo.


