EUA vão doar US$ 414 milhões em ajuda humanitária ao Congo

OMS alerta que mais de um milhão de crianças estão sob risco de fome aguda

Michelle Nichols, da Reuters
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Os EUA disseram nesta quarta-feira (7) que forneceria quase US$ 414 milhões em assistência humanitária à República Democrática do Congo, onde mais de 25 milhões de pessoas precisam dessa ajuda, quase um quarto da população do país.

O Embaixador dos EUA nas agências das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, Jeffrey Prescott, disse à Reuters que uma quantia significativa desse dinheiro iria para agências das Nações Unidas e grupos de ajuda que fornecem assistência alimentar urgente, cuidados de saúde e apoio nutricional, abrigo, água, saneamento e higiene.

“Este financiamento também inclui apoio direto a commodities agrícolas de agricultores americanos”, disse Prescott, que anunciará formalmente a ajuda nesta quarta-feira.

A doação eleva o valor total enviado pelos EUA à RDC desde outubro para US$ 838 milhões, disse Prescott.

O exército do Congo tem lutado contra os insurgentes do M23 desde 2022, e os novos combates no leste do país expulsaram mais de 1,7 milhão de pessoas das suas casas, elevando o número de congoleses deslocados por múltiplos conflitos para um recorde de 7,2 milhões, segundo estimativas da ONU.

Um apelo da ONU por US$ 2,6 bilhões para a RDC neste ano está longe de ser atingido. Apenas um terço do valor chegou às contas da entidade. E a Organização Mundial de Saúde alertou no mês passado que mais de um milhão de crianças estão em risco de desnutrição aguda no Congo.

Prescott disse que esperava que os EUA o financiamento encorajaria outros países a também "avançar" e ajudar a RDC.

Os EUA também fornecerão US$ 10 milhões para assistência à saúde e doarão 50 mil vacinas de MPox, disse Prescott.

Mpox, uma infecção viral que pode se espalhar por contato próximo, geralmente é leve, mas às vezes pode levar à morte. Causa sintomas semelhantes aos da gripe e lesões cheias de pus no corpo.

O atual surto de mpox no Congo já registou cerca de 27.000 casos e matou mais de 1.100 pessoas, a maioria crianças.