EUA x Irã: Brasileira relata situação em Dubai após ataque

Ana Miranda afirmou à CNN que moradores estão apreensivos, mas confiam no sistema antimísseis dos Emirados Árabes Unidos

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, após os Emirados Árabes Unidos serem alvo de mísseis e drones atribuídos ao Irã, a brasileira Ana Miranda relatou a situação vivida em Dubai.

Durante entrevista ao programa Agora CNN, ela descreveu o clima entre os moradores, os alertas enviados pelas autoridades e os impactos causados pelos bombardeios.

A ofensiva ocorreu em retaliação ao ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa. Segundo Ana, as autoridades locais encaminham mensagens aos celulares sempre que há possibilidade de projéteis atingirem o território.

"As autoridades enviam uma mensagem quando há possibilidade de mísseis atingirem, que chega a todos os celulares aqui, mas, graças a Deus, a gente tem um sistema antimísseis, que é um dos melhores do mundo", declarou.

De acordo com o relato, mais de 137 mísseis e 209 drones foram lançados contra o país, mas a maioria foi interceptada pelo sistema de defesa antimísseis.

Apesar da proteção oferecida pelo sistema, o sentimento entre os moradores é de preocupação. Ana comentou que, embora a interceptação da maior parte dos projéteis traga certo alívio, a população permanece em estado de alerta.

"Como temos essa proteção, querendo ou não, está todo mundo mais tranquilo, mas, lógico, que estamos todos em extrema preocupação", compartilhou à CNN.

A brasileira destacou ainda a confiança nas medidas adotadas pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos, ressaltando que os líderes locais atuam para proteger a população diante do agravamento da crise.

Já um dos locais atingidos foi o Hotel Fairmont The Palm, situado na região da Palmeira, onde um drone alcançou o edifício. Ana disse que um amigo, chefe de cozinha no hotel, descreveu o momento como algo jamais vivenciado anteriormente. Outro ponto afetado foi o Burj Al Arab, que teve uma parte lateral atingida por um drone interceptado, sem registro de feridos.

O porto em Jebel Ali e o aeroporto de Dubai também sofreram impactos, como contou a brasileira. Os voos permanecem cancelados "até o dia 2", e a expectativa é de atenção redobrada nas próximas horas.

A comunidade do Brasil mantém contato por meio de grupos de mensagens, nos quais compartilham informações sobre os pontos atingidos e buscam confirmar os fatos.

"A gente tem grupos e cada um vai falando onde aconteceu alguma coisa e sempre tentando trazer as notícias reais", apontou Ana.

Além disso, Ana alertou para a circulação de notícias falsas que utilizam imagens de outros locais como se fossem da cidade. Em um país que abriga mais de 200 nacionalidades, a verificação das fontes é considerada essencial, e a divulgação de informações reais é apontada como prioridade das autoridades locais.

Trazer notícias que sejam reais é o que mais o governo daqui preza
Ana Miranda

Detalhes do conflito

Depois que Estados Unidos e Israel deram início às primeiras ofensivas contra o governo iraniano, na manhã de sábado (28), o conflito se intensificou, passou a envolver outros países da região, gerou temores para a economia global e deixou milhares de viajantes retidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (1º) que o confronto com o Irã pode durar cerca de quatro semanas, indicando a previsão do governo americano sobre a campanha militar.

Segundo o Crescente Vermelho Iraniano, os ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel mataram pelo menos 555 pessoas no Irã, incluindo ao menos 165 em uma escola primária feminina, conforme a mídia estatal iraniana.

Explosões foram relatadas em Teerã, e pacientes precisaram ser retirados de um hospital no norte da cidade após o prédio sofrer graves danos. O CENTCOM informou que quatro militares americanos morreram em combate e cinco ficaram gravemente feridos.

As ofensivas também resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, fato considerado um ponto de inflexão na história recente do país.

Por que os EUA e Israel atacaram?

Tanto Trump quanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmaram que seus principais objetivos eram defender seus respectivos países das ameaças representadas pelo Irã e, principalmente, impedir que o regime islâmico adquirisse uma arma nuclear, sem apresentar qualquer evidência de que estivesse mais perto de obtê-la.

A Casa Branca havia declarado anteriormente ter eliminado "totalmente" essa ameaça quando se juntou brevemente à guerra de 12 dias de Israel contra o Irã em junho do ano passado, sendo uma campanha que deixou o regime severamente enfraquecido.

Desde o início do ano, o Irã também vem enfrentando uma crise econômica que desencadeou protestos em todo o país. Enquanto a repressão deixava milhares de manifestantes mortos, Trump prometeu ajudá-los, dizendo que os EUA estavam "prontos para o combate".

Durante semanas, houve uma estranha contradição: ao passo que enviados dos EUA mantinham conversas regulares com o Irã sobre um novo acordo nuclear, o governo Trump acumulava material militar no Oriente Médio.

Embora a última rodada de negociações tenha terminado na quinta-feira (26) com o Irã concordando em "nunca" estocar urânio enriquecido, isso não foi suficiente para evitar uma ação militar dos EUA.

Agências de inteligência israelenses e americanas, incluindo a CIA, vinham monitorando os movimentos de Khamenei há meses, aguardando o momento certo para atacar.