EUA x Irã: o que está em jogo e a preparação iraniana; assista

Com negociações em impasse, especialistas apontam alta probabilidade de um ataque americano pontual contra o programa nuclear iraniano, mísseis e lideranças do regime; assunto foi destaque no videocast Fora da Ordem

Da CNN Brasil
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A tensão entre Estados Unidos e Irã atingiu níveis alarmantes, com especialistas indicando até 90% de chance de um ataque militar americano nos próximos dias. O assunto foi analisado no videocast Fora da Ordem (ao vivo toda sexta, às 13h) na última sexta-feira (20).

Apesar de conversas diplomáticas recentes em Genebra, as negociações enfrentam impasses significativos, enquanto os Estados Unidos já teriam preparado seu contingente militar para uma possível ação neste final de semana.

O chanceler iraniano chegou a afirmar que as partes haviam alcançado "princípios orientadores" para um acordo, o que fez o preço do petróleo cair quase 2%. No entanto, autoridades americanas rapidamente contradisseram essa percepção, apontando obstáculos importantes nas negociações.

Donald Trump, por sua vez, estabeleceu um prazo de 15 dias para o Irã ceder às exigências americanas, período muito inferior aos dois anos que Barack Obama levou para negociar o acordo nuclear de 2015, posteriormente desfeito pelo próprio Trump em 2018.

Raízes históricas e programa nuclear

As relações diplomáticas entre EUA e Irã estão rompidas desde 1979, quando ocorreu a Revolução Islâmica e a invasão da Embaixada americana em Teerã. Somente em 2015, com Barack Obama, houve uma retomada de contato para o acordo nuclear, do qual Trump retirou os EUA em 2018, alegando que o Irã continuava desenvolvendo seu programa de mísseis.

Segundo o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, o Irã possui atualmente 440 quilos de urânio enriquecido a 60% - nível muito próximo do necessário para armas nucleares. "Não há nenhum programa civil que use urânio enriquecido a 60%. Para uso civil é até 20% para fins medicinais, e para geração de energia é de 3,5% a 5%", explicou. A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU encontrou até mesmo urânio enriquecido a 83,7% em instalações iranianas, evidenciando a proximidade do país de produzir ogivas nucleares.

Impasses nas negociações

Os principais obstáculos para um acordo são as exigências americanas que o Irã se recusa a aceitar: além do programa nuclear, os EUA querem que o país pare de desenvolver mísseis balísticos e cesse o financiamento a grupos considerados terroristas, como o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Palestina.

O regime iraniano, liderado pelo Ayatollah Khamenei, de 86 anos, enfrenta crescente impopularidade interna, com protestos violentamente reprimidos nos últimos anos. Organizações independentes afirmam que o Irã teria matado mais de 43 mil manifestantes, enquanto o governo é criticado por gastar entre 25 e 30 bilhões de dólares em armamentos enquanto a população passa necessidade devido às sanções econômicas.

Preparativos militares e cenários possíveis

Os Estados Unidos já posicionaram cerca de 50 mil soldados na região, with dois porta-aviões - o Gerald Ford já presente e o Abraham Lincoln se aproximando do Mediterrâneo Oriental. Embora esse contingente seja menor que os cinco porta-aviões mobilizados para a invasão do Iraque em 2003, é suficiente para uma operação militar pontual.

Américo Martins, analista sênior de Internacional da CNN, destacou que Israel desempenha papel central na pressão por ações contra o Irã.

"O governo israelense é quem tem motivado muito o presidente da República para tomar ações contra o Irã. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, fez toda a sua carreira tentando negar a possibilidade de um Estado palestino e vendo o Irã como um grande adversário de Israel no Oriente Médio", explicou.

Segundo especialistas, um eventual ataque americano seria provavelmente direcionado contra lideranças do regime iraniano, instalações do programa nuclear e infraestrutura de mísseis, sem envolver uma invasão terrestre em larga escala.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.