Europa teve 10 mil mortes acima da média durante onda de calor, diz rede
Dados da EuroMOMO, apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, mostram que mais de 90% dos óbitos "em excesso" são de pessoas com 65 anos ou mais

Países europeus registraram mais de 10 mil mortes "em excesso" durante a onda de calor recorde que atingiu o oeste do continente no final de junho de 2026, segundo dados oficiais.
O termo faz referência à diferença entre o número total de óbitos registrados em um período e a média histórica esperada daquele intervalo.
A grande maioria, mais de 90%, foi de pessoas com 65 anos ou mais, de acordo com dados publicados pela EuroMOMO, uma rede apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças e pela Organização Mundial da Saúde.
O calor extremo pode matar ao causar insolação ou agravar doenças cardiovasculares e respiratórias, sendo que os idosos são um dos grupos mais vulneráveis.
"Registrar esse tipo de excesso nesta época do ano é incomum. É um número realmente alto", disse Lasse Vestergaard, médico-chefe do Statens Serum Institut da Dinamarca, órgão que abriga a EuroMOMO, em entrevista à Reuters.
"É difícil explicar esse excesso de mortalidade por qualquer outro motivo que não o calor extremo", acrescentou.
Cientistas afirmaram que a onda de calor do final de junho teria sido "virtualmente impossível" sem as mudanças climáticas causadas pelo ser humano, que, segundo eles, estão tornando as alterações de temperatura bruscas mais frequentes e intensas.
Os dados, compilados a partir de estatísticas nacionais de mortalidade de 27 países europeus, incluíram mortes em excesso por todas as causas, não apenas aquelas relacionadas ao aumento de temperatura, durante a semana de 22 a 28 de junho, quando a onda de calor atingiu seu pico na França, Espanha, Reino Unido e outros países.
No entanto, cientistas afirmaram não haver outros grandes fatores conhecidos, como surtos de Covid-19, que pudessem ter contribuído para o pico de 10.650 mortes em excesso naquela semana.
A mortalidade combinada desses mesmos países europeus nas oito semanas anteriores ficou, em média, cerca de 500 mortes por semana abaixo dos níveis habituais. Os dados da EuroMOMO poderão ser revisados nas próximas semanas, à medida que mais informações forem recebidas.
A onda de calor extrema do final de junho interrompeu o fornecimento de energia, fechou escolas e quebrou recordes de temperatura na França, na Espanha e no Reino Unido.
A EuroMOMO não divulga números de mortes acima da média por país individualmente, mas observou que a França e a Bélgica foram os dois únicos países da Europa a registrar mortalidade com "excesso muito alto" na última semana de junho.
Na Bélgica, houve a taxa mais alta registrada durante qualquer onda de calor desde o ano 2000, segundo o Sciensano, o instituto de saúde pública do país.
Um estudo científico separado, publicado nesta segunda-feira (13), estimou que 2.700 pessoas morreram por causas relacionadas ao calor apenas na Inglaterra e no País de Gales, durante as ondas de calor de maio e junho.
Dessas mortes, 42% foram causadas pelo calor adicional que o aquecimento global acrescentou às ondas de calor, de acordo com as conclusões do Imperial College London, do Met Office do Reino Unido e da London School of Hygiene & Tropical Medicine.


