Ex-âncora da CNN preso por protesto contra o ICE é liberado

Promotores do caso solicitaram uma fiança de US$ 100.000; Defesa do jornalista afirmou que a prisão é uma ataque à Primeira Emenda, prevista na Constituição dos EUA

Brian Stelter, Kara Scannell, Hannah Rabinowitz e Nick Watt, da CNN
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Don Lemon, jornalista e ex-âncora da CNN, foi libertado da prisão após comparecer ao tribunal federal em Los Angeles nesta sexta-feira (30).

Lemon compareceu ao tribunal vestindo um terno bege de abotoamento duplo e uma camiseta combinando. Seu marido estava presente na galeria.

"Este é um crime muito grave", disse um promotor federal no tribunal, acrescentando que Lemon "sabe que se juntou a uma multidão para invadir uma igreja".

O promotor afirmou que Lemon disse à sua plateia que o objetivo do protesto era tornar a experiência traumática e desconfortável para os fiéis.

Os promotores solicitaram uma fiança de US$ 100.000 (equivalente a R$ 525 mil) e argumentaram que Lemon precisava de condições para garantir que não se sentisse encorajado a fazer algo semelhante enquanto aguardava o julgamento.

Segundo a defesa, a prisão é um "ataque sem precedentes à Primeira Emenda e a tentativa transparente de desviar a atenção das muitas crises que esta administração enfrenta não serão tolerados. Don lutará contra essas acusações com vigor e rigor no tribunal."

Entenda o caso

Don Lemon e Georgia Fort, dois jornalistas independentes, foram indiciados criminalmente em conexão com um protesto em uma igreja em St. Paul, Minnesota.

Defensores da Primeira Emenda, que apela às liberdades fundamentais, e organizações de direitos civis condenaram as prisões e argumentaram que o presidente americano Donald Trump está tentando cercear a liberdade de imprensa dos EUA.

Lemon e Fort estavam transmitindo ao vivo quando dezenas de manifestantes contrários ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) invadiram a Igreja Cities em 18 de janeiro, interrompendo um culto e levando a confrontos tensos.

A procuradora-geral Pam Bondi afirmou que quatro pessoas foram presas na madrugada desta sexta-feira (30) "em conexão com o ataque coordenado" à igreja. Os outros dois indivíduos mencionados por Bondi foram Trahern Jeen Crew e Jamael Lydell Lundy.