Ex-embaixador dos EUA propõe fim do apoio militar a Israel após reforma judicial
Martin Indyk, que já foi enviado especial para as negociações entre israelenses e palestinos, disse que o país precisa romper relação de dependência em relação a Washington e caminhar com as próprias pernas
O ex-embaixador dos Estados Unidos em Israel e ex-enviado especial dos EUA para as negociações entre israelenses e palestinos, Martin Indyk, pediu a Israel que “considere se manter sozinho” em relação à ajuda militar que recebe de Washington.
Em uma entrevista com Lynda Kinkade da CNN nesta segunda-feira (24), Indyk disse que Israel deveria começar a “desmamar-se de sua dependência da assistência militar dos EUA”.
“Israel estaria melhor, na minha opinião, se não dependesse dessa ajuda de segurança dos Estados Unidos e pudesse transformar o relacionamento em um relacionamento de iguais em vez de um relacionamento de dependência”, disse ele.
Os EUA nunca consideraram retirar a ajuda a Israel, mas os legisladores dos EUA recentemente pediram que a ajuda viesse com restrições. Indyk disse, no entanto, que o tema da ajuda a Israel é uma “vaca sagrada” que goza de forte apoio bipartidário, e a probabilidade de ser contestada por Washington é “entre zero a zero”.
Em entrevista ao New York Times, Indyk e Dan Kurtzer, outro ex-embaixador em Israel, disseram que era hora de começar a reconsiderar a ajuda dos EUA a Israel, que chega a mais de US$ 3,8 bilhões anuais, segundo o Departamento de Estado.
Indyk falou com a CNN horas depois que o Knesset de Israel aprovou o controverso projeto de lei de “razoabilidade” por uma votação de 64-0.
“É um dia muito sombrio para Israel. Em seus 75 anos de história, não enfrentou esse tipo de ameaça à sua unidade causada por um governo extremista que está promovendo uma agenda legislativa antidemocrática que está gerando enorme oposição.


