Ex-embaixador: Rússia coloca em xeque tolerância à ocupação territorial forçada

Em entrevista à CNN, Renato Marques analisou escalada de tensão no Leste Europeu

Ludmila Candal e Renata Souza, da CNN, em São Paulo
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Enquanto crescem as tensões no Leste Europeu, o Ocidente começa a reagir com sanções econômicas à Rússia. Em entrevista à CNN, o ex-embaixador do Brasil na Ucrânia Renato Marques avalia que as ações russas testam acordos globais.

"O que me parece que a Rússia está fazendo é colocar ante a comunidade internacional a questão, muito clara, de se é aceitável ou razoável que um estado, usando da força, possa alterar a geografia, as fronteiras existentes entre os países", explicou o especialista.

Marques afirma que, apesar das questões territoriais que perpassam o conflito, a motivação política é fundamental. "Ele [Putin] declara ostensivamente que a democracia liberal é obsoleta e ultrapassou seus propósitos."

"Nós estamos agora frente a uma campanha ostensiva e deliberada de contrapor um modelo, que é o modelo russo, contra um modelo de democracia liberal", complementa o ex-embaixador.

Na avaliação de Renato Marques, as investidas russas demonstram uma "tentativa deliberada de esvaziar, politica e economicamente, o governo ucraniano e o funcionamento da economia e da democracia ucraniana".

Em relação ao Brasil, o especialista afirma que "a posição do Itamaraty, tal como lida hoje, reflete uma posição genérica brasileira de apoio ao direito internacional, mas peca, provavelmente, por não identificar quem é o agressor".