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    Ex-embaixatriz ucraniana no Brasil faz apelo pela soberania da Ucrânia

    Fabiana Tronenko é brasileira e, em janeiro, voltou para o Brasil; ela comprou passagem para o marido retornar ao país também, mas ele disse que voltará somente com o fim da guerra

    Ex-embaixatriz da Ucrânia no Brasil, Fabiana Tronenko deixou a Europa quando os ataques russos começaram
    Ex-embaixatriz da Ucrânia no Brasil, Fabiana Tronenko deixou a Europa quando os ataques russos começaram Arquivo pessoal

    Basília Rodrigues

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    Desde que os bombardeios russos começaram, a brasileira Fabiana Tronenko, 43 anos, ex-embaixatriz da Ucrânia no Brasil, pede para o marido, o embaixador Rostyslav Tronenko, voltar para o país. Ela faz apelos pela soberania da Ucrânia. “Os ucranianos têm sua língua, seu povo, sua história e seu país”, defendeu à CNN.

    Em janeiro, ela e a filha Mariana, de 16 anos, que é ucraniana, retornaram da Ucrânia para o Brasil, enquanto o marido permaneceu em Kiev, de férias, acompanhando as ameaças russas de invasão. “No fundo, ninguém queria acreditar que a invasão pudesse acontecer, que [Vladimir] Putin faria essa loucura”, enfatiza. Fabiana e a filha estão em Curitiba, no Paraná, estado onde vive a maior comunidade ucraniana no Brasil –cerca de 400 mil imigrantes e descendentes.

    Ela publica ativamente na internet fotos e vídeos que recebe do marido. Enquanto o embaixador tem ajudado quem tenta atravessar a fronteira entre a Ucrânia e a Polônia, para fugir dos conflitos. “A gente luta muito contra a desinformação russa aqui no Brasil”, afirma Fabiana se referindo a notícias que classifica de mentirosas. “Essa informação de que são testes militares é uma mentira. Quantas pessoas morrendo, é um massacre, um banho de sangue. Pessoas menos esclarecidas podem acreditar”, afirma.

    Diariamente, Fabiana e o marido tentam manter contato. A troca de mensagens diminuiu durante alguns dias quando Tronenko descobriu que estava com Covid-19. “Ele teve falta de ar. Mas graças à vacina, que tomou no Brasil, não foi mais pesado”, conta.

    Ele se recuperou do coronavírus mas, na sexta-feira passada, Fabiana recebeu uma notícia que a deixou apreensiva: Tronenko não quer voltar para o Brasil até a guerra acabar.

    Aproveitando que o embaixador estava na Polônia, com um grupo de brasileiros que conseguiu deixar a Ucrânia de trem, Fabiana correu para comprar passagem de avião para o marido retornar ao Brasil e a enviou pelo WhatsApp.

    Só que, para surpresa dela, Tronenko respondeu à mensagem mostrando que havia comprado um bilhete de trem para deixar a Polônia e voltar justamente para a Ucrânia. “Ele disse: ‘amor, meus dois avôs lutaram contra o nazismo alemão e agora é a minha vez de lutar contra o nazismo russo para deixar uma Ucrânia livre, soberana e independente para nossa filha e nossos netos’. Fiquei sem chão ao ler aquilo.”

    Fabiana afirma que decidiu respeitar o sentimento de patriotismo do marido. Ela passou a compará-lo com os cossacos, um povo nativo do Sudeste Europeu conhecido pela coragem e bravura contra a opressão política. “A gente diz que o sangue cossaco dele falou mais alto”, afirma orgulhosa.

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