Ex-presidente da África do Sul, Zuma é colocado em liberdade condicional

Condenado em julho a 15 meses por desacatar tribunal, ele cumprirá restante da pena em 'sistema de correções comunitárias'

Jacob Zuma, ex-presidente da África do Sul, foi colocado em liberdade condiconal
Jacob Zuma, ex-presidente da África do Sul, foi colocado em liberdade condiconal Getty Images

David McKenzieda CNN

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Jacob Zuma, ex-presidente da África do Sul, foi solto da prisão em liberdade condicional devido a problemas de saúde, disse o Departamento de Serviço Correcional (DCS, em inglês), no domingo (5).

Zuma, de 79 anos, cumpre pena de prisão de 15 meses desde julho por desacato ao tribunal, depois de desafiar uma intimação para comparecer a um inquérito sobre corrupção durante seu mandato.

“A colocação em liberdade condicional médica para o Sr. Zuma significa que ele completará o restante da sentença no sistema de correções comunitárias, pelo qual ele deve cumprir um conjunto específico de condições e estará sujeito à supervisão até que sua sentença expire”, disse o DCS, em comunicado.

No mês passado, Zuma foi internado em um hospital, onde foi submetido a cirurgias por causa de uma doença não revelada, de acordo com as autoridades carcerárias.

O DCS disse que foi “impelido” a conceder liberdade condicional médica a Zuma após receber um relatório médico.

“Além dos presos que estão em estado terminal e fisicamente incapacitados, os que sofrem de uma doença que limita severamente suas atividades diárias ou autocuidados também podem ser considerados para liberdade condicional médica”, disse o comunicado.

O DCS apelou aos sul-africanos “para que dêem dignidade ao Sr. Zuma enquanto ele continua a receber tratamento médico”.

Uma onda de violência que resultou em mortes foi registrada na África do Sul em julho, depois que Zuma se entregou à custódia. Houve, além de protestos, saques generalizados enquanto soldados e policiais lutavam para restaurar a ordem. Foi uma das piores violências que o país viu em anos.

O sucessor de Zuma, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, disse que a agitação foi “instigada” e que ele não permitiria “que a anarquia e o caos ocorressem no país”.

Zuma foi presidente de 2009 a 2018 e já foi amplamente celebrado como uma figura chave no movimento de libertação do país. Ele passou 10 anos na prisão com o herói anti-apartheid ao lado do ex-presidente Nelson Mandela.

Mas seus nove anos no poder foram marcados por alegações de corrupção de alto nível, que ele negou repetidamente.

Zuma é acusado de corrupção envolvendo três empresários próximos a ele – os irmãos Atul, Ajay e Rajesh Gupta – e de permitir que eles influenciassem a política governamental, incluindo a contratação e demissão de ministros para se alinhar aos interesses comerciais da família.

Os Guptas negam irregularidades, mas deixaram a África do Sul depois que Zuma foi afastado da presidência.

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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