Exclusivo: Irã diz que programa de mísseis balísticos está em expansão

Em outubro, a CNN reportou indícios que o país está intensificando a reconstrução do seu programa balístico, apesar das novas sanções das Nações Unidas

Frederik Pleitgen, Claudia Otto e Abbas Al Lawati, da CNN
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Em entrevista exclusiva à CNN, o assessor de política externa do líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, Kamal Kharrazi, disse que programa de mísseis balísticos do país está em expansão.

Kharrazi disse que a iniciativa, no entanto, não deve ser discutida com os Estados Unidos.

No mês passado, a CNN reportou indícios de que o Irã estava intensificando a reconstrução de seu programa de mísseis balísticos, apesar da recente reintrodução de sanções das Nações Unidas que proíbem a venda de armas ao país e atividades relacionadas a mísseis balísticos.

Fontes da inteligência europeia disseram que empresas chinesas estavam ajudando o Irã a reconstruir seu programa de mísseis balísticos, com vários carregamentos de perclorato de sódio, um precursor para mísseis, sendo entregues da China ao Irã desde o final de setembro.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh disse à CNN que o Irã tem "relações muito próximas" com a China, assim como com a Rússia, que são anteriores a "qualquer coisa que tenha acontecido recentemente".

 

Retomada de negociações nucleares com os EUA

Kharrazi disse nesta quarta-feira (19) que Teerã está disposto a retomar as negociações nucleares com os EUA, desde que sejam conduzidas com respeito.

Ele acrescentou que o país não mudará a posição que mantinha antes dos ataques dos EUA e de Israel em junho deste ano às instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow.

“Eles precisam dar o primeiro passo para demonstrar que estão dispostos a dialogar conosco sob as condições que impusermos… isso precisa ser baseado em igualdade de condições e respeito mútuo”, disse o assessor de política externa do líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei.

“A agenda será preparada com antecedência para garantir a clareza do conteúdo e o andamento das discussões", acrescentou.

“Infelizmente, o presidente (Donald) Trump não acredita no diálogo diplomático, mas prefere usar a força para atingir seus objetivos”, acrescentou.

Em junho, o governo Trump e o Irã estavam em meio a negociações para resolver sua disputa quando Israel lançou um ataque surpresa contra o Irã, o que acabou envolvendo Washington, que realizou ataques a três instalações nucleares iranianas, o primeiro ataque direto dos EUA em território iraniano.