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    Explosão em Beirute: nitrato de amônio foi comprado para mineração, diz empresa

    Companhia de Moçambique afirma que foi ela que solicitou a compra do composto químico, mas que ele nunca chegou ao país

    Destruição causada por explosão em área portuária de Beirute
    Destruição causada por explosão em área portuária de Beirute Foto: Hannah McKay - 07.ago.2020 / Reuters

    Os compradores originais do nitrato de amônio que ficou por anos armazenado no porto de Beirute disseram à CNN que o produto foi adquirido para ser usado na mineração.

    A Fábrica de Explosivos Moçambique (FEM), uma empresa de fabricação de explosivos do país africano, afirmou que foi ela que solicitou a compra do nitrato de amônio. O pedido estava destinado à fabricação de explosivos para companhias mineradoras de Moçambique. “Podemos confirmar que sim, pedimos”, disse à CNN um porta-voz da FEM.

    O nitrato de amônio nunca chegou a Moçambique, segundo a fonte, e acabou sendo armazenado em um depósito no porto da capital libanesa durante mais de seis anos, antes de explodir nesta semana. Mais de 150 pessoas morreram e cerca de 5 mil ficaram feridas.

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    A FEM disse que esta foi a única compra da substância química que nunca chegou ao seu destino. “Isso não é comum. Nada comum”, afirmou o porta-voz. “Normalmente, quando você faz um pedido do que quer que seja, é raro não receber a mercadoria. Isso é um navio, não é como algo que se perdeu no correio, é uma grande quantidade.”

    O porta-voz trabalha na empresa desde 2008 e disse que nunca haviam perdido envios semelhantes de nitrato de amônio desde então. A CNN não publicou o nome do funcionário devido às preocupações com a privacidade dele em meio a uma história internacional delicada.

    Processo de compra

    O envio de nitrato de amônio de setembro de 2013 começou na Geórgia, onde o composto químico foi produzido. Ele foi transportado no navio russo Rhosus, que atracou em Beirute. 

    A FEM trabalhou com uma empresa comercial externa para facilitar a transferência do composto químico da Geórgia para Moçambique. Mas vários meses depois que o produto saiu da Geórgia, o porta-voz disse que essa companhia externa contou à FEM que ele não chegaria ao destino. 

    “Essa empresa comercial acaba de nos informar: há um problema com o navio, seu pedido não será entregue”, afirmou o porta-voz. “Portanto, nunca pagamos por isso, já que nunca recebemos.”

    A FEM decidiu, então, fazer outro pedido de nitrato de amônio para substituir o que se perdeu, e este foi entregue. Segundo o porta-voz, o plano era pagar “uma quantia significativa” pelo composto no primeiro pedido, mas o pagamento nunca foi feito.

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    Embora a empresa soubesse que o navio tinha sido detido em Beirute e depois apreendido por funcionários libaneses, o porta-voz insistiu que “isso estava absolutamente fora do nosso controle”.

    Composto perigoso

    O funcionário disse também que os colegas de empresa ficaram “surpresos” ao saber quanto tempo o nitrato de amônio ficou no porto, já que “esse não é um material que se queira ter armazenado sem uso”. “Este é um material muito sério e é preciso transportá-lo seguindo padrões muito rígidos”.

    A fonte explicou que o composto é perigoso, um oxidante muito poderoso usado para produzir explosivos. Mas não é como a pólvora, que se acende um fósforo e imediatamente explode. “É muito mais estável.”

    A quantidade armazenada – 2.750 toneladas, segundo os advogados que representam a tripulação do navio – também era pequena em comparação a outros envios comerciais de nitrato de amônio. “Essa quantidade é muito menor do que usamos em um mês de consumo”, disse. 

    O porta-voz ainda revelou que a companhia moçambicana soube de seu envolvimento com a tragédia em Beirute através de notícias divulgadas na quarta-feira (5), que falavam que o destino da carga era Moçambique. “Então, quando aconteceu, imaginamos que provavelmente era para nós”, disse a fonte.

    “É absolutamente devastador ver tudo isso [os eventos em Beirute]. E é com grande pesar que vemos”, afirmou. “E, infelizmente, vemos nosso nome envolvido, apesar de não termos absolutamente nenhuma participação nisso.”

    (Texto traduzido, clique aqui e leia o original em espanhol.)

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