Fala de Trump intensifica guerra de narrativas com Irã, diz professor
Lucas de Souza Martins, da Universidade Temple, afirma que declarações do presidente dos EUA contrastam com postura firme que Teerã mantém
A recente declaração do presidente dos Estados Unidos sobre intensificar ataques contra o Irã caso não haja um acordo para encerrar o conflito está inserida em uma complexa guerra de narrativas no Oriente Médio.
Durante entrevista ao Bastidores CNN desta quinta-feira (2), o professor Lucas de Souza Martins, da Universidade Temple, comentou sobre a afirmação de que os EUA bombardeariam o Irã por mais duas ou três semanas até que o país "volte à Idade da Pedra".
Segundo o especialista, essa retórica faz parte de uma estratégia de comunicação voltada principalmente para o público doméstico americano. "O presidente Trump escolheu embarcar em uma verdadeira guerra de narrativas", explicou Martins.
"Ele precisa sinalizar que os Estados Unidos estão ganhando a guerra, por isso diz que tem desejo de concluir, ou pelo menos ter duas ou três semanas mais de engajamento na região".
Enquanto os EUA afirmam estar próximos de alcançar seus objetivos, o Irã apresenta uma narrativa completamente diferente. "Nesse contexto em que ele se coloca, claramente não há qualquer sinal de que o Irã se enfraquece ou pelo menos esteja enfraquecido da forma como coloca o presidente dos Estados Unidos", destacou o professor.
Segundo Martins, autoridades iranianas sinalizam que estariam prontas para um conflito que poderia se estender por pelo menos seis meses. Esta postura contradiz diretamente a afirmação americana de que o país estaria próximo de ceder às pressões militares.
A instabilidade gerada pelo conflito também tem causado desconforto entre os aliados tradicionais dos EUA no Oriente Médio. "Hoje, os Estados Unidos são percebidos como um aliado que acabou deixando a situação na região totalmente instável, afetando diretamente os interesses desses aliados na região", observou o especialista.
Para o professor Martins, a afirmação de Trump sobre o enfraquecimento do Irã não corresponde ao cenário atual do conflito, tornando incerta qualquer previsão sobre o desfecho desta crise.


