Forças terrestres dos EUA ajudariam na segurança nacional, diz Costa Rica
Presidente Laura Fernandez afirmou, porém, que não há nenhum acordo concreto com Washington e que qualquer medida exigiria aprovação legislativa

A presidente da Costa Rica, Laura Fernandez, disse nesta sexta-feira (4) que operações terrestres dos EUA poderiam fortalecer a segurança nacional do país, ao mesmo tempo em que enfatizou que não havia nada de concreto sendo planejado com Washington e que qualquer medida desse tipo exigiria aprovação legislativa.
A Costa Rica e os EUA cooperam há anos em questões de segurança, inclusive por meio de patrulhas marítimas conjuntas. O presidente dos EUA, Donald Trump, convidou a Costa Rica a integrar sua coalizão "Escudo das Américas", voltada para o combate aos cartéis de drogas.
Populista de direita que assumiu o cargo em maio, Fernandez fez campanha com uma plataforma de combate rigoroso ao crime, prometendo restaurar a ordem na Costa Rica, país que registrou um aumento acentuado no tráfico de drogas e na violência nos últimos anos.
A taxa de homicídios atingiu o recorde de 17,2 por 100 mil habitantes em 2023, o dobro da taxa registrada uma década antes.
Fernandez afirmou que não cogita solicitar ao Congresso a decretação de estado de emergência ou a suspensão de garantias constitucionais para enfrentar a onda de violência, observando que os homicídios estão em declínio.
Dados do Judiciário mostram que, no primeiro semestre de 2026, os homicídios caíram 14% em comparação com o mesmo período de 2025.
Fernandez vive um impasse tenso com o Judiciário da Costa Rica, acusando o sistema judiciário de estar infiltrado pelo crime organizado e de bloquear suas políticas de segurança de combate rigoroso ao crime.
A disputa tem se concentrado cada vez mais no papel e no financiamento do Judiciário. Fernandez apoiou cortes orçamentários significativos para o Poder Judiciário e defende uma proposta legislativa para que o Congresso, e não a Suprema Corte, nomeie o procurador-geral.
Autoridades judiciais negaram as alegações de corrupção, desafiando Fernandez a apresentar provas. Elas argumentam que os cortes orçamentários planejados para 2026 e 2027 enfraqueceriam os mecanismos democráticos de freios e contrapesos e prejudicariam os esforços de combate ao crime.


