França intercepta petroleiro suspeito de pertencer à "frota fantasma" russa
Operação contou com apoio de outros países, incluindo o Reino Unido

A Marinha da França interceptou nesta quinta-feira (22) um petroleiro russo no Mediterrâneo, suspeito de fazer parte da chamada "frota fantasma" que permite à Rússia exportar petróleo apesar das sanções.
"Esta operação foi realizada com o apoio de vários dos nossos aliados. Foi conduzida em total conformidade com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar", declarou o presidente francês, Emmanuel Macron, em entrevista coletiva.
A interceptação ocorreu em alto-mar, no Mediterrâneo Ocidental, entre a costa sul da Espanha e a costa norte de Marrocos, informou a polícia marítima francesa em um comunicado separado.
Marinhas de outros países, incluindo a do Reino Unido, apoiaram a ação, acrescentou a nota.
O ministro da Defesa britânico, John Healey, afirmou que o Reino Unido forneceu apoio de rastreamento e monitoramento para a operação. Esse apoio incluiu o navio HMS Dagger, que monitorou o petroleiro, chamado GRINCH, enquanto este passava pelo Estreito de Gibraltar.

Sanções contra a Rússia e adaptação
A União Europeia impôs 19 pacotes de sanções contra a Rússia, mas o país comandado por Vladimir Putin se adaptou à maioria das medidas e continua vendendo milhões de barris de petróleo para países como a Índia e a China, geralmente a preços subsidiados.
Grande parte desse petróleo é transportado pelo que se conhece como frota fantasma, composta por embarcações que operam fora da indústria marítima ocidental.
O petroleiro interceptado navegava de Murmansk, no norte da Rússia, e está sujeito a sanções internacionais, sendo suspeito de operar sob bandeira falsa, afirmou Macron em sua publicação.
O petroleiro navegava sob a bandeira das Comores, de acordo com dados fornecidos pela LSEG.
"As atividades da frota paralela contribuem para o financiamento da guerra de agressão (da Rússia) contra a Ucrânia", acrescentou o presidente.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou em uma publicação no X que a operação representava "exatamente o tipo de determinação necessária".
Ele sugeriu que o petróleo transportado pelos navios da frota fantasma seja confiscado e vendido.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público de Marselha, responsável por assuntos relacionados ao direito marítimo. O Ministério Público ordenou o desvio do navio para novas investigações.
A Rússia afirmou que a França não notificou sobre a interceptação, segundo a agência de notícias TASS.
O consulado russo em Marselha está tentando apurar se há cidadãos russos entre os tripulantes, ainda de acordo com a TASS, citando a embaixada russa na França.
Em outubro, a França deteve outro petroleiro sancionado, o Boracay, na costa oeste do país, e o liberou após alguns dias.


