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    “Grande decepção”: Zelensky critica reunião de Modi e Putin após ataque russo atingir hospital infantil na Ucrânia

    É a primeira vez que o premiê indiano visita Moscou desde o início da guerra da Rússia contra os ucranianos; bombardeio em Kiev matou 27 pessoas nesta segunda-feira (8)

    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o premiê indiano Narendra Modi caminham em Moscou durante a primeira visita do líder da Índia, em 8 de julho de 2024, desde o início da guerra dos russos contra a Ucrânia
    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o premiê indiano Narendra Modi caminham em Moscou durante a primeira visita do líder da Índia, em 8 de julho de 2024, desde o início da guerra dos russos contra a Ucrânia Reuters

    Helen ReganMariya KnightVictoria Butenkoda CNN

    O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou nesta segunda-feira (8) a visita de seu colega indiano a Moscou como uma “enorme decepção e um golpe devastador para os esforços de paz”, no mesmo dia em que um míssil russo atingiu um hospital infantil em Kiev.

    O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, encontrou-se com o presidente russo, Vladimir Putin, em sua residência em Novo-Ogaryovo, nos arredores de Moscou, nesta segunda-feira, enquanto a 900 quilômetros de distância mísseis russos caíam sobre cidades ucranianas em um ataque no horário de pico da manhã.

    O bombardeio russo matou pelo menos 37 pessoas e feriu outras 170.

    A viagem de dois dias de Modi marca sua primeira visita à Rússia desde que Putin iniciou sua invasão em grande escala na Ucrânia há quase dois anos e meio, com imagens e vídeos na segunda-feira mostrando os dois líderes se abraçando, conversando enquanto tomam chá, andando em um veículo elétrico e assistindo a um show de cavalos.

    “É uma grande decepção e um golpe devastador para os esforços de paz ver o líder da maior democracia do mundo abraçar o criminoso mais sangrento do mundo em Moscou em um dia assim”, disse Zelensky em uma publicação no X, referindo-se aos ataques mortais russos.

    O bombardeio em larga escala à luz do dia atingiu a capital Kiev e cidades como Dnipro, Kryvyi Rih, Slovyansk e Kramatorsk – algumas das quais são áreas densamente povoadas, longe das linhas de frente.

    Em Kiev, 27 pessoas foram mortas, incluindo três crianças, informou a administração militar da cidade na segunda-feira. Duas pessoas foram mortas e pelo menos outras 16 ficaram feridas no ataque ao hospital Okhmatdyt de Kiev.

    A instalação é o maior centro médico infantil da Ucrânia e tem sido essencial no cuidado de algumas das crianças mais doentes do país.

    Vídeos do local mostraram voluntários trabalhando com a polícia e serviços de segurança para escavar os escombros enquanto a fumaça subia do hospital, e o trabalho continuou na noite de segunda-feira para procurar pessoas potencialmente presas sob os escombros.

    A equipe do hospital disse que tentou levar as crianças para um local seguro após o ataque. Duas crianças estavam nas salas de cirurgia no momento da explosão, e ambas foram realocadas para o abrigo no porão assim que seus procedimentos foram concluídos, disse uma enfermeira sênior à CNN.

    Outra enfermeira sênior disse que uma operação em uma criança de 2 anos estava em andamento quando o ataque aconteceu.

    “As luzes se apagaram, tudo se apagou. Pegamos os instrumentos, acendemos lanternas. Tudo foi costurado rapidamente”, disse Iryna Filimonova. “O bebê foi trazido [para o abrigo]. Corri imediatamente para ajudar a limpar os escombros.”

    O chefe de direitos humanos das Nações Unidas, Volker Turk, disse que a explosão forçou os profissionais de saúde a tratar crianças doentes do lado de fora das instalações.

    Médico com vestígios de sangue em suas roupas olha para a limpeza de escombros de um prédio em um dos maiores hospitais infantis da Ucrânia, “Okhmatdyt”, parcialmente destruído por um ataque de míssil russo em 8 de julho de 2024 em Kiev, na Ucrânia / Oleksandr Magula/Suspilne Ukraine/JSC “UA:PBC”/Global Images Ukraine via Getty Images

    Os pacientes estavam “recebendo tratamento para câncer em leitos hospitalares instalados em parques e ruas, onde os profissionais de saúde rapidamente estabeleceram áreas de triagem, em meio ao caos, poeira e escombros”, disse ele em um comunicado.

    O ministério da defesa da Rússia afirmou que suas forças atingiram “instalações industriais militares da Ucrânia e bases aéreas das forças armadas ucranianas”, com armas de longo alcance e alta precisão.

    Sem fornecer evidências, o ministério russo também afirmou que fotos e vídeos da explosão do hospital confirmaram que o dano foi causado por um míssil de defesa aérea ucraniano.

    Visita de Modi à Rússia

    Enquanto isso, perto da capital russa, Modi agradeceu a Putin por recebê-lo em sua residência, dizendo em uma publicação no X: “Ansiosos por nossas conversas de amanhã também, que certamente contribuirão muito para consolidar ainda mais os laços de amizade entre a Índia e a Rússia”.

    Putin deve sediar conversas oficiais com Modi nesta terça-feira (9) no Kremlin. A viagem é um sinal de que Nova Délhi e Moscou permanecem próximas, apesar da crescente dependência da Rússia da China, e é amplamente vista como o mais recente golpe nos esforços dos líderes ocidentais para deixar Putin de lado.

    A Índia tem laços de longa data com Moscou e continua fortemente dependente do Kremlin para seu equipamento militar. Ela aumentou as compras de petróleo bruto russo com desconto, dando à nação de Putin uma grande salvação financeira enquanto enfrenta o isolamento do ocidente.

    Antes da visita, uma declaração do gabinete de Modi disse que o líder indiano revisaria “todos os aspectos da cooperação bilateral com meu amigo, o presidente Vladimir Putin, e compartilharia perspectivas sobre várias questões regionais e globais. Buscamos desempenhar um papel de apoio para uma região pacífica e estável.”

    Os Estados Unidos manifestaram preocupações à Índia sobre seu relacionamento com a Rússia, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA a repórteres em uma entrevista coletiva na segunda-feira.

    “Vou olhar para as declarações públicas do Primeiro-Ministro Modi para ver o que ele falou, mas, como eu disse, deixamos bem claro diretamente com a Índia nossas preocupações sobre seu relacionamento com a Rússia”, disse o porta-voz Matthew Miller.

    “Esperamos que a Índia e qualquer outro país, quando se envolverem com a Rússia, deixem claro que a Rússia deve respeitar a Carta da ONU, deve respeitar a soberania e a integridade territorial da Ucrânia.”

    Embora a Índia tenha pedido o fim das hostilidades na Ucrânia e a restauração da paz, ela também se absteve de todas as resoluções sobre a Ucrânia nas Nações Unidas e não chegou a condenar a invasão da Rússia.

    O comércio entre os dois países foi avaliado em quase US$ 65 bilhões em 2023-24, principalmente devido à forte cooperação energética, mas a maior parte desse total foi para a Rússia, de acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Randhir Jaiswal.

    Reduzir o desequilíbrio comercial seria uma “questão de prioridade” nas discussões de Modi com Putin, disse ele antes da viagem.

    A visita também é a primeira viagem bilateral de Modi desde que conquistou um raro terceiro mandato nas eleições gigantescas da Índia no mês passado.

    O assessor presidencial russo, Yury Ushakov, disse que o Kremlin atribui “importância primordial” à visita de Modi, informou a agência de notícias estatal russa TASS.

    Os ataques russos na Ucrânia ocorreram um dia antes do presidente dos EUA, Joe Biden, sediar uma importante cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Washington, onde novos anúncios sobre o apoio militar, político e financeiro da aliança a Kiev são esperados.

    Biden chamou os ataques com mísseis russos em Kiev — incluindo o hospital infantil — de um “horrível lembrete da brutalidade da Rússia”, em uma declaração na noite de segunda-feira.

    “É fundamental que o mundo continue apoiando a Ucrânia neste momento importante e que não ignoremos a agressão russa”, disse Biden.

    (Rhea Mogul, Svitlana Vlasova, Daria Tarasova-Markina, Maria Kostenko e Lauren Said-Moorhouse, da CNN, contribuíram com a reportagem)

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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