Groenlândia diz esperar que acordo com EUA respeite seus limites
Na segunda-feira (2), o premiê do país alertou que, embora Donald Trump tenha descartado a força militar para impor controle à ilha, Washington ainda busca fundamentalmente controlar a ilha ártica

A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, disse nesta terça-feira (3) que estava esperançosa e otimista em chegar a um acordo com os Estados Unidos que respeitasse seus limites.
"Estamos buscando uma solução diplomática por meio de negociações. Tenho esperança e otimismo de que encontraremos um terreno comum que respeite nossas linhas vermelhas", disse Motzfeldt em uma conferência sobre o Ártico na Noruega.
Na segunda-feira (2), o primeiro-ministro do país Jens-Frederik Nielsen, alertou que, embora o presidente americano, Donald Trump, tenha descartado a força militar para impor controle à ilha, Washington ainda busca fundamentalmente controlar a ilha ártica.
"A visão sobre a Groenlândia e a população não mudou: a Groenlândia deve ser ligada aos EUA e governada a partir do país", disse Nielsen num discurso ao parlamento da ilha em Nuuk, falando através de um tradutor.
Nielsen disse que os EUA continuam procurando "caminhos para a propriedade e o controle sobre a Groenlândia".
O governo da ilha disse na semana passada que havia lançado uma pesquisa sobre a situação de saúde mental da população em um momento de pressão extraordinária.
Entenda a crise na Groenlândia
No início de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou as ameaças sobre anexar a Groenlândia, uma ilha ártica semiautônoma controlada pela Dinamarca.
Ele argumenta que o território é fundamental para a estratégia militar americana, já que fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que a tornaria vital para um sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
Os Estados Unidos querem instalar radares na ilha para monitorar as águas entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.
Mas as ameaças do líder americano têm afetado diretamente a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar entre países que tanto os EUA quanto a Dinamarca fazem parte.
"Se os EUA optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para, incluindo a própria aliança militar e, consequentemente, a segurança que foi estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial", disse a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.
Enquanto Trump não descarta o uso de força para conquistar a Groenlândia, alguns países europeus enviaram um pequeno número de militares para a ilha para participar de exercícios conjuntos com a Dinamarca.
Após o envio dessas tropas, o presidente dos EUA disse que vai impor tarifas contra importações de seus próprios aliados -- incialmente, de 10%, mas que podem chegar a 25%.


