Insurgentes do Mali atacam bases militares em "ataques complexos"
Segundo comunicado, combates provocados por "terroristas" não identificados continuam

Neste sábado (25), insurgentes lançaram ataques na capital do Mali e em outros locais do país. O Exército pediu à população que mantenha calma, enquanto o governo liderado pelos militares enfrenta uma das maiores operações até então em uma longa campanha contra ele.
Uma nota de segurança da ONU afirmou que houve "ataques complexos simultâneos" em Kati, perto do aeroporto de Bamako, e em cidades e vilas mais ao norte, incluindo Mopti, Gao e Kidal, enquanto a embaixada dos EUA no Mali pediu a seus cidadãos para permanecerem em casa.
Duas explosões e tiroteios contínuos foram ouvidos pouco antes das 3h, horário de Brasília, perto da principal base militar do Mali, Kati, ao norte da capital Bamako, e os tiros ainda ecoavam na área mais de quatro horas depois, enquanto helicópteros do Exército sobrevoavam o local, disseram uma testemunha da Reuters e dois moradores.
“Há tiros por toda parte”, disse uma testemunha na cidade de Sevare, na região central do país. Outras duas testemunhas afirmaram que a casa do Ministro da Defesa, Sadio Camara, em Kati, foi atingida e destruída.
O Mali enfrenta insurgências lideradas por grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico na África Ocidental. O país também lida com um histórico muito mais longo de rebeliões lideradas por tuaregues no norte do país.
O Mali enfrenta insurgências lideradas por grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico na África Ocidental. O país também lida com um histórico muito mais longo de rebeliões lideradas por tuaregues no norte.
O governo liderado por Assimi Goita assumiu o poder após golpes de Estado em 2020 e 2021, prometendo restaurar a segurança, mas tem enfrentado dificuldades para cumprir essa promessa.
O Exército do Mali afirmou pouco depois das 8h, horário de Brasília, que a situação estava sob controle, mas que "operações de varredura" estavam em andamento. Não ficou claro se isso se aplicava a todo o país.
Não houve reivindicação imediata de responsabilidade por parte do grupo afiliado à Al-Qaeda, JNIM (Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin), que frequentemente realiza ataques contra instalações militares.
Mas quatro fontes de segurança disseram à Reuters que o grupo estava envolvido e parecia ter coordenado ações com a FLA (Frente de Libertação de Azawad), uma aliança rebelde dominada por tuaregues que reivindicou a responsabilidade pelas operações em Gao e Kidal.
Em um comunicado divulgado por volta das 6h, o Exército afirmou estar sob ataque de grupos “terroristas” não identificados em vários locais.
O porta-voz do FLA, Mohamed Elmaouloud Ramadane, afirmou nas redes sociais que suas forças assumiram o controle de posições em Gao e de um dos dois acampamentos militares em Kidal. A Reuters não conseguiu verificar essas afirmações de forma independente.
"O maior ataque coordenado em anos" no Mali
Os ataques deste sábado sinalizam uma possível escalada na insurgência, que começou em 2012, quando separatistas tuaregues e combatentes ligados à Al-Qaeda tomaram o controle de grandes áreas do norte do Mali.
“Este parece ser o maior ataque coordenado dos últimos anos”, disse Ulf Laessing, chefe do programa Sahel da Fundação Konrad Adenauer, na Alemanha.
Embora o ataque a Bamako possa ter sido repelido, perdas no norte do Mali, incluindo Kidal, eram “uma possibilidade realista”, disse Benedict Manzin, analista-chefe para o Oriente Médio e África da consultoria de risco estratégico Sibylline. “Um grande teste para o regime hoje”, disse Manzin.
Em setembro de 2024, o grupo JNIM, afiliado regional da Al-Qaeda, atacou uma escola de treinamento da gendarmaria perto do aeroporto de Bamako, matando cerca de 70 pessoas.
Um ano depois, o JNIM anunciou um bloqueio às importações de combustível para o Mali e, desde então, tem atacado comboios de caminhões-tanque em todo o país, praticamente paralisando Bamako em alguns momentos e demonstrando sua capacidade de realizar operações em regiões do país onde não o fazia anteriormente.
O governo de Goita, que se apoiou em mercenários russos para obter apoio em segurança, enquanto inicialmente rejeitava a cooperação em defesa com os países ocidentais, tem buscado recentemente laços mais estreitos com Washington.
A Reuters noticiou em março que o Mali e os EUA estavam perto de um acordo que permitiria a Washington retomar os voos de aeronaves e drones sobre o espaço aéreo do país da África Ocidental para coletar informações sobre grupos jihadistas.
O ministro das Relações Exteriores do Mali disse à Reuters na segunda-feira que países vizinhos abrigam e apoiam grupos terroristas que realizam operações contra o país. Ele se recusou a nomear a quais vizinhos se referia e acrescentou, sem apresentar provas, que potências estrangeiras de fora da região também estão envolvidas.


