Guarda Revolucionária do Irã declara "linha vermelha" na segurança do país

País vive onda de protestos há duas semanas que já deixaram 65 pessoas mortas e mais de duas mil presas

Tom Perry. e Mark Potter, da Reuters
General Mohammad Pakpour, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica  • Reprodução/Reuters
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A Guarda Revolucionária do Irã alertou neste sábado (10) que a proteção da segurança era uma "linha vermelha" e os militares prometeram proteger a propriedade pública, enquanto o regime intensificava os esforços para conter os protestos mais generalizados dos últimos anos.

As declarações vieram depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu um novo alerta aos líderes iranianos na sexta-feira (9) e depois que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou neste sábado: "Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã".

Pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o país durante as manifestações contra o atual regime, segundo a agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos EUA.

Os protestos continuaram durante a noite. A mídia estatal informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, capital do país, e culpou "manifestantes violentos".

A TV estatal transmitiu imagens dos funerais de membros das forças de segurança que, segundo ela, foram mortos em protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.

Os protestos se espalharam por grande parte do Irã nas últimas duas semanas, começando como resposta à inflação crescente, mas rapidamente se tornaram políticos, com manifestantes exigindo o fim do regime islâmico.

As autoridades acusam os EUA e Israel de fomentarem os "distúrbios". Grupos de direitos humanos documentaram dezenas de mortes de manifestantes.

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As autoridades continuaram a impor um bloqueio à internet.

Uma testemunha no oeste do Irã, contatada por telefone, disse que a IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica) estava mobilizada e abrindo fogo na área de onde falava, recusando-se a ser identificada por questões de segurança.

Em um comunicado transmitido pela TV estatal, a IRGC — uma força de elite que reprimiu manifestações anteriores — acusou terroristas de atacar bases militares e policiais nas últimas duas noites, matando vários civis e membros das forças de segurança, além de incendiar propriedades.

Proteger as conquistas da Revolução Islâmica de 1979 e manter a segurança é "uma linha vermelha", acrescentou, afirmando que a continuidade da situação é inaceitável.

As Forças Armadas, que operam separadamente da Guarda Revolucionária Islâmica, mas também são comandadas pelo Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, anunciaram que irão "proteger e salvaguardar os interesses nacionais, a infraestrutura estratégica do país e os bens públicos".

Em um país com um histórico de oposição fragmentada ao regime teocrático, o filho do último xá do Irã, deposto na Revolução Islâmica de 1979, emergiu como uma voz proeminente no exterior, impulsionando os protestos.