Hamas diz concordar com desarmamento mas cobra Israel para cumprir acordo
Alto funcionário do grupo afirmou que nenhuma ação será tomada até que governo israelense cumpra compromisso estabelecidos

O alto funcionário do Hamas, Ghazi Hamad, confirmou à CNN que o grupo palestino chegou a um acordo com o Conselho de Paz para entregar suas armas, condicionado ao envio de uma Força Internacional de Estabilização para Gaza e ao cumprimento, por parte de Israel, das obrigações previstas no acordo de cessar-fogo de outubro.
“O acordo é um pacote completo”, disse Hamad. “Não iniciaremos nenhuma ação relacionada a armas até que Israel cumpra esses compromissos. Francamente, se Israel não os cumprir, não prosseguiremos.”
Hamad afirmou que Israel deve primeiro cessar os ataques, interromper todos os assassinatos seletivos em Gaza, retirar suas tropas para a Linha Amarela e permitir um aumento da ajuda humanitária, em conformidade com o acordo de cessar-fogo de outubro.
O CNAG (Comitê Nacional para a Administração de Gaza, na sigla em inglês), um comitê tecnocrático palestino nomeado pelo Conselho de Paz, também deve entrar em Gaza e assumir o governo da Faixa.
O CNAG assumirá o controle das armas pertencentes à força policial do Hamas em Gaza, explicou Hamad.
O oficial foi enfático ao afirmar que o armamento pesado do Hamas não será desativado nem destruído, mas sim “armazenado sob a supervisão do Comitê Nacional”.
No entanto, Hamad reiterou que nada disso acontecerá se Israel não cumprir suas obrigações.
“Nossa experiência com a primeira fase foi muito ruim. Israel não cumpriu o acordo e houve centenas ou milhares de violações. Agora, o desafio é para os garantes — Estados Unidos, Catar, Turquia e Egito — assegurarem que Israel honrará e implementará integralmente todos os itens do acordo”, expressou ele. “Espero que Israel o aprove — ainda estamos aguardando.”
Acordo de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (30) que o Conselho de Paz chegou a um acordo "histórico" para o desarmamento do Hamas e outros grupos armados de Gaza.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que a medida é um "passo crucial" para que Gaza seja governada por uma nova administração palestina que deve trabalhar em colaboração com o grupo fundado pelo presidente americano.
Segundo Trump, o desarmamento do grupo faz parte de um plano de 20 pontos elaborado por ele mesmo.
Ainda de acordo com a publicação, o acordo será executado em fases, incluindo a remoção das Forças israelenses do território e a implementação da Força Internacional de Estabilização que deve trabalhar em conjunto com uma "nova força policial palestina".
A declaração ainda cita a reconstrução de Gaza, que deve ser supervisionada pelo próprio conselho. O cronograma de implementação das fases do plano ainda vai ser definido, informou o grupo.
O presidente americano acrescentou que a medida foi mediada por autoridades de Egito, Catar e Turquia.
Entenda o que é o Conselho de Paz
Trump propôs pela primeira vez a criação do Conselho de Paz em setembro de 2025, quando anunciou seu plano para encerrar a guerra em Gaza. Posteriormente, o líder americano deixou claro que a atuação do conselho seria expandida para além de Gaza, abrangendo outros conflitos ao redor do mundo.
O conselho tem a missão de promover a paz em todo o mundo e trabalhar para resolver conflitos, de acordo com uma cópia da minuta da carta constitutiva vista pela agência Reuters.
O presidente dos EUA chegou a sugerir que o grupo "poderia" substituir a ONU, o que agravou preocupações de especialistas.
De acordo com a carta constitutiva, os países integrantes teriam mandatos limitados a três anos, a menos que paguem US$ 1 bilhão.
Segundo apuração da correspondente da CNN Brasil Priscila Yazbek, um funcionário do governo dos Estados Unidos garantiu, sob condição de anonimato, que esse montante seria apenas para conseguir um assento permanente no grupo, pontuando que a entrada no conselho não exige alguma compensação.



