Hamas teme sofrer chacina dentro do território palestino, diz especialista
Em entrevista à CNN, o professor de Relações Internacionais do Ibmec Alexandre Pires afirmou que, mesmo com papel temporário de força policial autorizado pelos Estados Unidos, o Hamas teme perder relevância e sofrer ataques de organizações radicais dentro do território palestino
O Hamas libertou 20 reféns israelenses na madrugada desta segunda-feira (13). Em entrevista à CNN, o professor de Relações Internacionais do Ibmec Alexandre Pires avaliou que a organização enfrenta uma situação delicada no território palestino, onde teme ser alvo de retaliações por parte de outras organizações radicais, mesmo após assumir temporariamente funções policiais com autorização dos Estados Unidos.
O especialista destacou que já existem sinais de conflitos entre o Hamas e outras milícias durante este período de transição, evidenciando as tensões internas na região.
Mudança de estratégia
Uma notável alteração na abordagem do Hamas foi observada em relação ao tratamento dos reféns israelenses libertados durante o cessar-fogo. "Diferente de situações anteriores, os reféns foram apresentados em melhores condições físicas, com melhor aparência, abandonando a antiga tática de guerra psicológica que visava pressionar o governo israelense", relembra o professor.
O especialista ressaltou ainda que o maior desafio atual está na questão do desarmamento do grupo. "O Hamas demonstra resistência em depor suas armas, temendo perder poder de negociação com Israel e, principalmente, sua capacidade de autodefesa dentro do território da Palestina", explica Alexandre.
A situação se torna ainda mais complexa devido à formação de novas milícias na região, que não estão vinculadas ao Hamas. A fragmentação do poder militar local aumenta as preocupações sobre possíveis conflitos internos e retaliações contra o grupo.


