Hospitais do Novo México ficam sobrecarregados com volta da Covid-19 nos EUA

País supera os 50 milhões de infectados com o coronavírus em meio ao avanço da variante Ômicron

Da Reuters
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Quase um ano depois que as vacinas contra a Covid-19 foram administradas pela primeira vez nos Estados Unidos, o país está retornando a muitas das marcas que definiram a vida pandêmica anterior: uso de máscaras, locais de vacinação em massa, hospitais lotados e um número crescente de mortes.

Mais de 200 milhões de americanos --superior a 60% da população dos EUA-- receberam pelo menos duas doses das vacinas da Pfizer, Moderna ou a dose única da Janssen, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Apesar desse triunfo da ciência moderna, o número de mortos no país continua a aumentar. Desde que a primeira dose foi administrada, quase 500 mil pessoas morreram de Covid-19. O país deverá ultrapassar a marca de 800 mil óbitos na próxima semana, de acordo com uma contagem da Reuters.

As infecções, que se aproximam de 50 milhões desde o início da pandemia, também aumentaram nas últimas semanas, especialmente porque o clima mais frio nos estados do norte fazem que as atividades sejam dentro de casa, permitindo uma transmissão mais fácil do vírus.

No Novo México, no sudoeste do país, os hospitais estão atingindo níveis recordes de capacidade à medida que pacientes não vacinados lotam as Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

No San Juan Regional Medical Center, um dos hospitais mais atingidos do estado, os leitos de cuidados intensivos foram ocupados tão rapidamente quanto os pacientes tinham alta ou morriam.

Médicos e enfermeiras estão lutando para lidar com o desgaste emocional e físico. Larry Goff, de 61 anos, disse estar feliz por ter cedido e tomado a vacina da Janssen.

"Sabe, fui um dos que resistiu por muito, muito tempo. Mas estou feliz por finalmente ter cedido para fazer isso", disse Goff.

Goff ainda declarou que sua filha havia sido tratada no mesmo hospital com Covid-19 e havia perdido seu bebê como resultado de sua doença.
"Eles estão dizendo que a Covid fica com os jovens e os velhos, mas também com os que ainda não nasceram", alertou.

Cerca de 94% das mortes pela no hospital estão entre não vacinados, disseram os médicos. Muitos deles estão na faixa dos 30 ou 40 anos.

Cheryl Sanders estava sentada ao lado da cama de seu marido, Vincent, enquanto ele lutava contra uma infecção pulmonar causada pela Covid-19. Ambos não foram vacinados, e ela disse que a provação de seu marido não os levaria a mudar de ideia sobre as vacinas.

A enfermeira Patricia Thomas estava ao lado de um paciente morto que ela tratou, com um lençol branco sobre o corpo, e uma foto de sua família a seus pés.

Seus parentes tomaram a decisão de retirá-lo do suporte vital. Ele foi vacinado e tinha cinco filhos e doze netos.

"Tiramos os tubos e deixamos que [sua família] entrasse e segurasse a sua mão enquanto ele passava confortavelmente. Hoje foi muito difícil, porque é a minha terceira [morte por Covid-19] esta semana", disse Thomas, contendo as lágrimas.

Tal como acontece com outros estados com altas taxas de vacinação iniciais, como Vermont, Rhode Island e New Hampshire, a imunidade diminuiu no Novo México, empurrando esses estados para o topo das classificações de novos casos.

A governadora democrata do estado, Michelle Lujan Grisham, incentivou a vacinação no início de 2021 para tentar limitar as hospitalizações.
Três em cada quatro pacientes com Covid no estado não foram vacinados, disseram as autoridades.

O combate ao vírus tem sido complicado por suas mutações mais agressivas, incluindo a variante Delta atualmente dominante e a Ômicron de rápida disseminação, que foi identificada pela primeira vez no mês passado e já detectada em quase metade dos 50 estados.

A politização das vacinas e a hesitação de muitos americanos em tomar as doses também ajudaram a manter a pandemia, geralmente com resultados mais mortais, disseram os especialistas.