Hospital em Gaza suspende sessões de diálise por falta de combustível

Recursos escassos são usados para manter unidades de terapia intensiva em funcionamento

Da Reuters
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Noor Al-Sheikh, de 17 anos, caminhou com o pai pelas ruas cobertas de escombros da Cidade de Gaza na terça-feira (1º), lutando para chegar ao Hospital Al-Shifa para sua sessão de diálise, mas o procedimento foi cancelado devido à escassez de combustível.

"Hoje não há diálise porque não há combustível... Pedimos ao mundo que nos olhe com compaixão", disse Al-Sheikh, sentada na sala de diálise do hospital, que está fora de funcionamento.

O hospital Al-Shifa interrompeu os serviços de diálise renal na terça-feira, em meio à falta de combustível e aos constantes cortes de energia, deixando mais de 350 pacientes sem tratamento, de acordo com o diretor do hospital, Dr. Muhammad Abu Salamiyah.

“Mantivemos a quantidade limitada de combustível necessária para a unidade de terapia intensiva e o departamento de operações do hospital, porque a unidade de terapia intensiva não consegue funcionar sem eletricidade nem por um minuto”, acrescentou Abu Salamiyah.

Nesta quarta-feira (2), o Ministério da Saúde de Gaza informou em um comunicado que o complexo médico de Al-Shifa recebeu 3.000 litros de combustível de agências internacionais, o que, segundo ele, seria suficiente apenas para dois dias e não resolveria a escassez de combustível. A pasta pediu por mais fornecimento de combustível para “preservar a vida de pacientes e feridos”.

Al-Sheikh, uma paciente que sofre de insuficiência renal, disse que tinha viagem marcada para tratamento no exterior, mas não pôde viajar devido ao fechamento da fronteira.

“Espero que eles realmente levantem esse bloqueio e deixem entrar combustível, remédios e alimentos”, disse ela.

As forças israelenses tomaram a principal passagem de fronteira em Rafah em maio de 2024, fechando uma rota vital de ajuda para o enclave palestino, que já está à beira da fome.

Apenas 19 dos 36 hospitais da Faixa de Gaza permanecem operacionais, enquanto pelo menos 94% de todos os hospitais estão danificados ou destruídos, informou a OMS em maio de 2025, acrescentando que apenas 12 estão em condições de fornecer uma variedade de serviços de saúde.

O exército israelense não respondeu às perguntas da agência Reuters sobre a suposta escassez de combustível em Gaza e as declarações de que os palestinos não conseguiam deixar o território para tratamento médico.

Israel restringiu a entrada de mercadorias e a saída de pacientes desde março, em uma medida para pressionar o Hamas a libertar os reféns restantes. No final de maio, Israel aliviou as restrições à ajuda, mas autoridades palestinas disseram que as restrições à entrada de combustível e à saída de pacientes permaneciam.

A guerra começou quando combatentes do Hamas invadiram Israel em 7 de outubro de 2023, mataram 1.200 pessoas, a maioria civis, segundo dados israelenses, e levaram 251 reféns de volta para Gaza em um ataque surpresa.

A ofensiva subsequente de Israel matou mais de 56.000 palestinos, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, deslocou quase toda a população de 2,3 milhões de pessoas e mergulhou território palestino em uma crise humanitária.

Mais de 80% do território é agora área militarizada por Israel ou está sob ordens de retirada, segundo a ONU.