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    Human Rights Watch acusa Israel de usar fome como “arma de guerra”; governo nega

    Autoridade israelense acusa Hamas de roubar ajuda humanitária

    Palestinos deslocados se abrigam no hospital Al Shifa, em meio ao conflito em curso entre o Hamas e Israel, na Cidade de Gaza
    Palestinos deslocados se abrigam no hospital Al Shifa, em meio ao conflito em curso entre o Hamas e Israel, na Cidade de Gaza 08/11/2023REUTERS/Doaa Rouqa

    Kareem KhadderRadina Gigovada CNN

    A Human Rights Watch acusou Israel de usar a fome como arma de guerra na Faixa de Gaza, chamando o caso de “crime de guerra” em relatório divulgado nesta segunda-feira (18). Um porta-voz do governo israelense afirmou que a acusação é “uma mentira”.

    O diretor da Human Rights Watch para Israel e Palestina, Omar Shakir, disse à CNN que as autoridades israelenses “há meses privam deliberadamente a população de Gaza de alimentos e água, impedindo deliberadamente a assistência humanitária, destruindo intencionalmente objetos indispensáveis à sobrevivência, incluindo padarias, moinhos de grãos e água e instalações sanitárias e, aparentemente, arrasando áreas agrícolas”.

    O relatório baseia-se em entrevistas com 11 palestinos deslocados em Gaza, em declarações públicas de membros do governo israelense e em declarações de organizações como o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, o Programa Alimentar Mundial, a Oxfam e o Conselho Norueguês para os Refugiados.

    “Declarações de funcionários de alta patente israelenses mostram que esta é uma política deliberada de matar civis de fome como arma de guerra”, destacou Shakir.

    O relatório da Human Rights Watch observa que “altos funcionários israelenses, incluindo o Ministro da Defesa Yoav Gallant, o Ministro da Segurança Nacional Itamar Ben Gvir e o Ministro da Energia Israel Katz fizeram declarações públicas expressando seu objetivo de privar os civis em Gaza de alimentos, água e combustível”, e que esta “política” está “sendo executada pelas forças israelenses”.

    Outras autoridades israelenses declararam publicamente que a ajuda humanitária a Gaza “estaria condicionada à libertação de reféns ilegalmente detidos pelo Hamas ou à destruição do Hamas”, acrescentou a Human Rights Watch.

    “Isso é um crime de guerra abominável, que agrava a punição coletiva de civis palestinos e o bloqueio da ajuda humanitária, que também são crimes de guerra”, ressaltou Shakir à CNN.

    “Os líderes mundiais deveriam falar e tomar medidas urgentes para evitar novas atrocidades, as vidas de centenas de milhares de pessoas estão em jogo”, pontuou.

    Israel nega acusações

    O porta-voz do governo israelense, Eylon Levy, rejeitou veementemente as alegações do órgão de vigilância de direitos humanos nesta segunda-feira (18), dizendo que o Hamas era o culpado por qualquer escassez de suprimentos em Gaza.

    “Isso é uma mentira”, pontuou Levy em resposta a uma postagem de Shakir no X.

    “Israel tem capacidade excessiva para inspecionar mais do que o dobro de caminhões de ajuda que entram em Gaza. oleodutos e não impôs restrições à entrada de alimentos e água. Direcione a sua raiva para o Hamas, que sequestra a ajuda”, destacou.

    A Human Rights Watch também fez referência a uma avaliação da segurança alimentar do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, publicada em 6 de dezembro.

    O documento concluiu que 9 em cada 10 famílias no norte de Gaza e 2 em cada 3 famílias no sul de Gaza tinham passado pelo menos um dia e uma noite inteiros sem comida.

    A CNN não pôde verificar esses números de forma independente.

    De acordo com o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, matar intencionalmente civis de fome, “privando-os de objetos indispensáveis à sua sobrevivência, incluindo impedir deliberadamente o fornecimento de ajuda humanitária” é um crime de guerra, afirmou a Human Rights Watch no relatório.

    Caminhões de ajuda entram em Gaza vindos do território israelense pelo segundo dia

    Mais caminhões de ajuda humanitária foram inspecionados e liberados para entrar na Faixa de Gaza nesta segunda-feira através de uma travessia do território israelense, disse o governo de Israel.

    Sessenta e quatro caminhões tiveram passagem autorizada na passagem de Kerem Shalom, pontuou o escritório israelense de Coordenação de Atividades Governamentais nos Territórios (COGAT) no X.

    Outros 127 caminhões foram inspecionados na passagem de Nitzana, mas as suas cargas foram transferidas para Gaza através da passagem de Rafah, entre o Egito e Gaza.

    A quantidade de ajuda humanitária que entra em Gaza é menos de metade dos níveis anteriores à guerra, segundo as Nações Unidas.

    O número de caminhões de ajuda “está bem abaixo da média diária de 500 caminhões (incluindo combustível e bens do sector privado) que entraram todos os dias úteis antes de 7 de outubro”, afirmou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em nota.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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