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    “Improvável que tropas britânicas lutem na Ucrânia”, diz secretária do Reino Unido

    Tensões entre Ucrânia e Rússia, ambos ex-estados soviéticos, começaram após um acordo político e comercial histórico com a União Europeia

    Soldado ucraniano na região de Zolote, Ucrânia, localizada próxima à divisa com a Rússia.
    Soldado ucraniano na região de Zolote, Ucrânia, localizada próxima à divisa com a Rússia. Anadolu Agency via Getty Images

    Da CNN Brasil

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    É muito improvável que soldados britânicos sejam enviados para lutar ao lado de tropas ucranianas no caso de uma invasão russa, disse a secretária de Relações Exteriores, Liz Truss, neste domingo (30).

    Truss também afirmou à BBC Television que é “altamente provável” que a Rússia esteja tentando invadir a Ucrânia.

    Questionado se havia algum cenário no qual tropas britânicas poderiam ser enviadas para lutar na Ucrânia, Truss declarou: “Isso é muito improvável. Trata-se de garantir que as forças ucranianas tenham todo o apoio que pudermos dar a elas”.

    Já o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que o país contribuiria para qualquer novo movimento da Otan na sequência de um ataque, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que “o custo será muito elevado” se Putin decidir invadir.

    Possível invasão

    As tensões entre a Ucrânia e a Rússia estão em seu ponto mais alto dos últimos anos, com uma tropa russa a postos próxima à fronteira entre as duas nações, levantando temores de que Moscou possa iniciar uma invasão nas próximas semanas ou meses.

    A Rússia acumulou dezenas de milhares de soldados em sua fronteira com a Ucrânia, provocando temores de que o presidente russo, Vladimir Putin, estaria planejando uma incursão. O governo russo negou repetidamente que planeja invadir seu vizinho ocidental.

    Ao mesmo tempo, a Ucrânia alertou ao fato de que a Rússia estaria tentando desestabilizar o país antes de qualquer invasão militar. Autoridades ocidentais aconselharam repetidamente a Rússia nas semanas recentes contra avanços mais agressivos.

    O Kremlin nega estar planejando um ataque e nega que o apoio da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à Ucrânia – que inclui maiores suprimentos de armamento e treinamento militar – constitua uma ameaça crescente ao flanco oeste da Rússia.

    Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse nesta sexta-feira que outros líderes mundiais estão exagerando na probabilidade de uma guerra entre seu país e a Rússia, causando “pânico” e desestabilizando a economia de Kiev.

    O presidente dos EUA, Joe Biden, disse à CNN na terça-feira que haveria “graves consequências” em caso de qualquer invasão russa.

    Os resultados mais imediatos para além da Ucrânia seriam sentidos nos países da Europa Oriental e do Báltico, que encontrariam uma Rússia explicitamente belicosa em suas portas.

    Preocupações econômicas

    As consequências econômicas de uma invasão são vistas como incógnitas, mas existem vários possíveis efeitos de impactos que têm preocupado especialistas desde que o acúmulo de militares russos perto da fronteira ucraniana ficou claro.

    De forma mais direta, uma perturbação da produção agrícola da Ucrânia poderia ter um forte impacto no fornecimento de alimentos.

    O país é um dos quatro maiores exportadores de grãos do mundo (espera-se que seja responsável por cerca de um sexto das importações mundiais de milho nos próximos cinco anos, segundo projeções do Conselho Internacional de Grãos) e, consequentemente, impactos diretos na sua produção poderão trazer resultados na oferta de determinados gêneros alimentícios.

    Entretanto, mais importante é o impacto potencial mais amplo sobre o fornecimento de energia e as consequências de duras sanções ocidentais para a Rússia que aconteceriam após uma invasão.

    “Quando se trata de um grande conflito envolvendo um dos maiores fornecedores de energia do mundo – e um grande país de trânsito para o resto da Europa – então não se pode descartar os impactos significativos nos mercados de energia”, disse  Nigel Gould-Davies, um ex-embaixador britânico em Belarus que agora é membro sênior para Rússia e Eurásia no grupo de reflexão do International Institute for Strategic Studies (IISS).

    A Rússia fornece cerca de 30% do gás natural da União Europeia. Os suprimentos provenientes do país desempenham um papel vital na produção de energia e no aquecimento doméstico em toda a Europa Central e Oriental.

    O país já foi acusado de explorar essa dependência. A Agência Internacional da Energia afirmou na quarta-feira (26) que a Rússia contribuiu para um subabastecimento de gás na Europa ao reduzir as suas exportações, e nos últimos meses o país também colocou pressão sobre a Moldávia.

    Qual a história do conflito entre Ucrânia e Rússia?

    As tensões entre Ucrânia e Rússia, ambos ex-estados soviéticos, escalaram em 2013, após um acordo político e comercial histórico com a União Europeia. Após o então presidente pró-Rússia, Viktor Yanukovych, suspender os diálogos – supostamente sob pressão de Moscou – semanas de protestos em Kiev explodiram em violência.

    Então, em março de 2014, a Rússia anexou a Crimeia, uma península autônoma no sul da Ucrânia, com lealdade forte à Rússia, com o pretexto de que estaria defendendo os interesses locais e dos cidadãos de herança russa.

    Primeiramente, milhares de soldados de herança russa, apelidados de “pequenos homens verdes” e posteriormente reconhecidos por Moscou como soldados russos, invadiram a península da Crimeia. Dentro de dias, a Rússia completou sua anexação em um referendo que foi apontado pela Ucrânia e por vários outros países como ilegítimo.

    Pouco tempo depois, separatistas pró-Rússia nas regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk declararam sua independência de Kiev, levando a meses de conflitos. Apesar de Kiev e Moscou terem assinado um acordo de paz em Minsk, em 2015, intermediado pela França e pela Alemanha, ocorreram repetidas violações do cessar-fogo.

    De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), ocorreram mais de 3 mil mortes de civis relacionadas ao conflito no leste da Ucrânia desde março de 2014.

    A União Europeia e os Estados Unidos impuseram uma série de medidas em resposta às ações russas na Crimeia e no leste ucraniano, incluindo sanções econômicas mirando indivíduos, entidades e setores específicos da economia russa.

    O Kremilin acusa a Ucrânia de causar tensões no leste do país e violar o acordo de cessar-fogo de Minsk.

    *Com informações da Reuters e de Rob Picheta, Matthew Chance e Laura Smith-Spark, da CNN

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