Informações dos EUA mostram que russos têm inseguranças sobre invasão da Ucrânia

Comunicações interceptadas pela inteligência americana revelaram que autoridades russas temem que incursão seja mais cara e difícil do que Putin pensa

Militares próximos da aldeia de Zolote, área de retirada do governo e das tropas rebeldes apoiadas pela Rússia, na região de Luhansk, ao leste da Ucrânia
Militares próximos da aldeia de Zolote, área de retirada do governo e das tropas rebeldes apoiadas pela Rússia, na região de Luhansk, ao leste da Ucrânia Foto: REUTERS/Gleb Garanich

Natasha BertrandJim SciuttoKatie Bo Williamsda CNN

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Comunicações interceptadas obtidas pelos Estados Unidos revelaram que algumas autoridades russas temem que uma invasão em larga escala na Ucrânia seja mais cara e mais difícil do que o presidente russo, Vladimir Putin, e outros líderes do Kremlin imaginam. Os relatos são de quatro pessoas da inteligência americana.

Três delas disseram que essas autoridades russas incluem agentes de inteligência e também militares.

Os russos também reclamaram que seus planos foram descobertos e expostos publicamente por nações do Ocidente, disseram duas das fontes, citando as comunicações interceptadas.

Não há evidências de que essas autoridades se oponham ao plano geral ou se revoltariam contra as ordens de Putin, disseram duas das fontes. Outra fonte com trânsito entre a inteligência dos EUA observou que a Rússia tem um exército profissional que deve cumprir efetivamente o que o presidente ordenar.

De acordo com um funcionário europeu, ainda assim, os militares russos acreditam que será uma decisão difícil. “Nas avaliações, vemos que está claro que algumas pessoas do lado da defesa [russa] não estão realmente entendendo qual é o plano de jogo”, disse o oficial. O funcionário acrescentou que as avaliações sugerem que os responsáveis pela defesa acreditam que é “um plano de jogo muito difícil de se defender”.

Outra das fontes da inteligência americana disseram que a forma como o planejamento russo evoluiu e se expandiu nos últimos dois meses sugere que as preocupações foram ouvidas por altos funcionários russos.

Autoridades disseram à CNN no sábado que Putin já reuniu 70% do pessoal militar e armas nas fronteiras da Ucrânia que ele precisaria para uma invasão em larga escala do país. Algumas avaliações indicam que ele pode estar planejando tentar tomar a capital da Ucrânia, Kiev, disseram eles, e a cidade pode colapsar dentro de 48 horas após uma invasão terrestre e aérea em larga escala.

Outra possibilidade, disseram as autoridades, é a de que Putin decida por uma operação em diversas frentes, enviando forças de várias direções por toda a Ucrânia para quebrar rapidamente a capacidade dos militares ucranianos de lutar como uma força única — uma clássica estratégia militar russa.

“Há muito tempo dissemos que Putin continua a aumentar suas opções e capacidades, e temos sido igualmente transparentes sobre alguns dos movimentos que acreditamos que ele pretende fazer para justificar algum tipo de ação militar”, disse o secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby à CNN nesta segunda-feira (7). “Também vamos continuar a ajudar a Ucrânia a se defender melhor com assistência letal e não letal.”

Autoridades dos EUA dizem publicamente e também em particular que ainda não sabem se Putin decidirá atacar, e de que forma seria se o fizesse. Isso ocorre em grande parte porque a visibilidade dos EUA sobre Putin e seu círculo íntimo ainda é extremamente limitada, disseram as fontes à CNN.

De acordo com elas, os EUA têm informações bastante sólidas sobre o Ministério das Relações Exteriores e militares russos. Muitos desses funcionários estiveram envolvidos no atual acúmulo de tropas perto da Ucrânia, o que proporcionou aos EUA uma visibilidade melhor do que o normal sobre o planejamento russo.

Mas a inteligência americana ainda está em grande parte isolada de Putin e das autoridades russas mais importantes, que normalmente são isoladas dos agentes de nível inferior que executam as ordens do Kremlin.

Mesmo assim, muitos dos preparativos de um possível conflito foram descobertos e mais fáceis de detectar. A Rússia continuou a aumentar suas forças perto das fronteiras da Ucrânia, incluindo implantações mais avançadas na Bielorrússia e na Crimeia, de acordo com imagens de satélite tiradas pela Maxar Technologies e fornecidas à CNN.

As imagens mostram que novas moradias e acampamentos de militares surgiram nas últimas duas semanas. Os americanos viram indicações de que a Rússia começou a construir linhas de suprimentos, como unidades médicas e combustível, que poderiam sustentar um conflito prolongado caso Moscou decidisse invadir, disseram autoridades à CNN.

“Dado o tipo de forças que estão dispostas… se isso fosse desencadeado na Ucrânia, seria significativo, muito significativo e resultaria em uma quantidade expressiva de baixas”, disse o presidente do Estado-Maior Conjunto, Mark Milley.

“Você pode imaginar como seria em áreas urbanas densas, ao longo de estradas e assim por diante. Seria horrível. Seria terrível. E não é necessário. Achamos que um resultado diplomático é o caminho a se seguir aqui.”

No entanto, outro funcionário dos EUA avaliou que o caminho diplomático está mais estreito do que nunca. “Estamos em um território de Ave Maria”, disse ele.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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