Invasão da Rússia compromete a imagem e o papel dos BRICS, avalia professor

À CNN Rádio, Paulo Borba Casella disse que o bloco era conhecido por seguir as regras do direito internacional e buscava solução pacífica de controvérsias

Pessoas passam pela sede do Banco Central em Moscou, Rússia, 11 de fevereiro de 2019 REUTERS/Maxim Shemetov
Pessoas passam pela sede do Banco Central em Moscou, Rússia, 11 de fevereiro de 2019 REUTERS/Maxim Shemetov REUTERS

Amanda Garcia, com produção de Camila Olivoda CNN

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Na avaliação do coordenador-geral do Grupo de Estudos sobre o Brics da Faculdade de Direito da USP, Paulo Borba Casella, a invasão da Rússia à Ucrânia “sem dúvida nenhuma” compromete a imagem e o papel dos Brics.

De acordo com ele, que também é professor titular de Direito Internacional, os países que compõem o bloco – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – “sempre se apresentavam como mudança relevante do sistema internacional criada pacificamente.”

“Nas reuniões cúpulas todos os anos mencionavam o papel do direito internacional, da ONU e da solução pacífica de controvérsias”, completou. Casella ainda questionou: “Uma vez que a Rússia invade a Ucrânia, em agressão injustificada, isso claramente compromete, na próxima reunião terão coragem de colocar que se alinham ao direito internacional? Vai ficar difícil continuar falando isso.”

O professor destacou a posição dos integrantes do bloco diante da guerra da Ucrânia. “O Brasil votou contra a invasão, tanto na Assembleia Geral da ONU, quanto no Conselho de Segurança, isso é importante, enquanto China e Índia se abstiveram e tem se colocado em cima do muro.”

“Por outro lado, embora a China tenha colocado que possui uma ‘aliança sem limites’ com a Rússia, não quer comprometer inserção internacional para ser solidária aos russos”, defendeu.

Segundo Casella, em certa medida, mesmo assim, os BRICS têm agenda independente, com “mais de 100 assuntos paralelos, de meio-ambiente, educação, um monte de coisas, essa agenda continua”.

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